Seis Balas narrativa curtíssima

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O relógio da igreja marcava um minuto para o meio dia. Um dos pistoleiros cuspiu na areia e firmou os pés no chão. Sua mão levantou uma das abas do sobretudo, pronta para sacar o revólver. Uma gota de suor escorreu pela testa.

O outro estreitou os olhos, ofuscados pelo brilho de uma janela fechada. Sua mão tremia, mas não havia uma gota de ansiedade em seu rosto. Esperava o badalar do sino da igreja como um crente espera o som da última trombeta. Ajeitou o chapéu que caía de lado na cabeça.

Uma bola de feno atravessou o caminho dos dois, a rua estava vazia e atrás das janelas olhos espiavam arregalados.

O sino da igreja soou. Eles tremeram num espasmo e sacaram as armas. O ferro brilhou sob o sol quando dispararam, o som de um trovão de pólvora fez os corvos voarem. O primeiro se jogou ao chão e disparou mais uma vez, o segundo continuou estático como um poste, a arma como uma extensão de seu braço enquanto a fumaça cinza-azulada saía do cano. Aquele que se lançara ao chão não se ergueu. Estava com seu sobretudo manchado de sangue quando a poeira baixou.

Ele ajeitou o chapéu, nele havia um buraco de bala, se abaixou, tirou o revólver das mãos do cadáver e jogou-o dentro de uma bolsa pesada junto de mais 4.

Marchou para o oeste.