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A manhã de setembro espalhava uma luz dourada sobre o parque, onde o ar morno trazia o cheiro doce das flores. À beira do lago de águas paradas, os dois dançavam. Ela rodopiava com uma leveza tão perfeita que parecia flutuar ao sabor do vento, enquanto ele a acompanhava de perto, com passos firmes e o olhar inteiramente focado nela, em uma dança de cortejo e entrega que parecia durar para sempre. Vestidos de uma alvura impecável sob o sol forte, eles eram a imagem viva da juventude e do amor, movendo-se em uníssono como se o mundo ao redor tivesse desaparecido.
Mas a calmaria daquela paisagem guardava um perigo silencioso. Escondido atrás dos arbustos, um homem observava cada movimento, esperando o momento exato.
O estampido seco cortou o ar da manhã, rápido e cruel, espalhando os pássaros em um revoado desesperado. No mesmo instante, a jovem desabou na grama, o corpo frágil agora manchado de um vermelho vivo que ardia contra o branco das roupas. E o parceiro, aquele que prometera ficar ao seu lado para sempre, cedeu ao pânico do primeiro segundo, bateu as asas em fuga e abandonou-a sem olhar para trás.
O homem saiu de trás da vegetação, puxando a mão do filho pequeno que o acompanhava. Ajoelhou-se junto ao corpo ainda quente e imóvel. Com um gesto firme, segurou o longo pescoço da jovem e a ergueu do chão, exibindo o prêmio com um sorriso nos lábios.
— Veja só, meu filho — disse ele, olhando para a criança. — É assim que se faz. Hoje teremos carne de cisne para o almoço.