Poeta Camaleão

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Eu sou camelão, Sou assim, vacilão. Sou um poeta gaiato... Depois, fico me achando o sabichão.

Tudo que sei é ser copião! Passo o olho no que é alheio e ponho nas minhas linhas. Leio... Absorvo... Escrevo. Sou um estorvo.

Antropofago não sou... Não podem assim me chamar. Pois, diferente de meus companheiros de profissão, eu não sei me inspirar.

Meu espelho não é alegórico. Sou quase uma entidade do folclórico. Eu assovio com voz de gente... Mas não sou gente e tudo que reflito é como não olhar para mim, mas para o outro no literal.

Nada é original. Originalidade? Que banalidade! Não conheço essa tal de autenticidade. Não sou romancista. Não sou parnasiano. Não sou modernista. Não sou arcadista. Não sou barroco. Não sou regionalista.

Minha escola se chama: copianismo. E a única cadeira ocupada nela é a minha.

Sou poeta camaleão! Não tenho vergonha, pois já abandonei-a a muito tempo... Prazer: Não sou artista, mas sim, um belo ladrão.