O Tarólouco

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Ato 1: Acontecimentos extravagantes.

As gotas da fina chuva escorriam pelo vidro da janela, a sala escura apenas iluminada por um lampião posto cuidadosamente em cima de uma pilha de livros antigos, porém muito bem preservados. Um barulho calmante de cartas sendo embaralhadas era possível ser escutado em meio ao som dos trovões que em raros casos lançavam clarões que iluminavam a sala por completo. A sombra desconhecida retirou do monte a figura de um homem idoso que segurava uma estrela de luz em suas mãos nomeada O Eremita, quando instantaneamente um raio cruzou os céus e fez-se quase dia durante alguns instantes, então o desconhecido colocou-a novamente no baralho e o guardou em uma caixa roxo púrpura com detalhes em dourado que formavam o desenho de um globo ocular. Por volta das 5:40 da madrugada quando os primeiros raios de sol tocaram o batel da janela, a luz entrando por entre as fendas da madeira velha que formava as paredes, solitário e quieto no canto mais escuro do cômodo se localizava um morador de rua sobre uma delicada cama de tecido de seda e algodão. Cabelos desordenados, barba mal feita, sintomas claros de alucinações e caindo aos prantos, este era o estado visível da figura que dificilmente era possível identificar feições de seu rosto. A chuva voltou a cair, cobrindo a pouca luz solar que havia nesse horário, crianças afobadas andavam pela rua lamentando a triste ida diária para a escola, do alto da casa em meio as sombras o homem rasteja quase em estado fatal para a caixa roxo purpura e retira cartas de seu interior. O Cavaleiro de Espadas, A Torre e O Louco, após uma leitura rápida das três imagens torna a guardar o objeto em seu recipiente. Ao fundo, quase mascarado pelo som da tempestade que estava se formando é audível o estrondo do ônibus que os jovens entraram batendo em um muro de concreto maciço. Não foi segredo para a equipe de paramédicos que chegaram logo ao local, o motorista estava dirigindo o veículo sob efeito de alucinógenos o que causou a batida. Infelizmente não houveram sobreviventes, como se o destino esperasse que ninguém saísse com vida. Durante os dias que sucederam o bairro pareceu calado em um silencio ensurdecedor, investigações foram feitas a respeito do histórico de vício do motorista, porém nada foi encontrado, a polícia cogitou o surgimento de um novo vírus ou doença, entretanto essa ideia foi logo descartada devido a falta de experimentos médicos.

Ato 2: Os boatos.

Toda a população da pequena cidade passado alguns dias já tinha noção do ocorrido, um jovem detetive especialista em acontecimentos sem explicações e paranormais logo se prontificou para dirigir um caso sozinho em uma casa de madeira abandonada, sua única pista até o momento devido ao recorrente uso do local como esconderijo para usuários de alucinógenos. A tempestade aparentava apenas piorar, pedras minúsculas de gelo agora caíam do céu dificultando a travessia. O jovem detetive garantiu se deslocar da forma mais segura até o local e chegando na casa logo adentrou por uma janela quebrada com cacos de vidro estilhaçados no chão. O breu tomou totalmente sua visão, não era possível visualizar mais o lado de fora como se uma cortina escura estivesse cobrindo a propriedade, porém perante a fraca luz de uma pequena lanterna de bolso conseguiu avançar para o labirinto de corredores que formavam a estrutura da residência, sendo provável que amadores pudessem se perder facilmente. Paredes feitas de madeira cobertas por mofo, emitindo rangidos a cada passo enquanto se deslocava ao que aparentava ser uma escada de mão ligada diretamente ao sótão, mesmo com mais da metade dos degraus desgastados ou destruídos o detetive conseguiu chegar ao topo sem muita dificuldade. A adrenalina recebida foi imediata quando uma figura raquítica saltou em sua direção prendendo-o em um mata-leão perfeitamente encaixado, sem brechas para escapar utilizou de um canivete que guardava em sua bota próximo ao calcanhar para desferir uma estocada na mão de seu agressor, fazendo-o fraquejar prontamente a técnica de luta que estava executando. O ser desgrenhado deitou-se rapidamente ao chão e sem soltar único suspiro parou de se mover. Em alerta com toda a situação o detetive se aligeirou em buscar nas próprias vestes sinais de seu telefone, ao perceber que o aparelho não se encontrava recolheu a única coisa que se destacava em toda a sala, uma pequena caixa roxo púrpura com detalhes em dourado e partiu rumo a saída.

Ato 3: Previsão.

O sol forte iluminava completamente a rua, nem aparentava que havia chovido a poucos momentos atrás embora ainda restasse vestígios de água nas janelas de algumas residências. Ao atravessar para o lado de fora pelo mesmo local em que entrou anteriormente, o detetive foi recebido por uma equipe policial desacreditada ao vê-lo como se houvesse desaparecido por semanas ou meses. Alertou da existência do morador que havia o atacado e logo foi dispensado com alegação de defesa pessoal.

  • "Vá pela sombra, eh..., como se chama mesmo?" - Bradou um oficial enquanto o esguio detetive caminhava até seu veículo.

  • "Bertram, caro policial, aquele mesmo do desfile de formatura já nos encontramos antes creio eu." - Respondeu Bertram sem se virar, apenas parando abaixo de uma arvore para se esconder do sol.

  • "E essa caixa? Quer deixá-la conosco, levarei para análise assim que possível." - Sugeriu o oficial.

  • "Eu mesmo me certificarei disso, fique tranquilo." - Disse e tornou a andar.

Bertram dirigiu até a delegacia onde depositaria as evidências para análise mais profunda, porém antes de se retirar do carro decidiu abrir a pequena caixa para averiguar seu conteúdo, se deparando com um baralho de tarô tradicional com o verso desenhado a mão em uma tinta carmesim. Ao final do monte havia um papel velho e amarelado dobrado ao meio duas vezes para evitar que se abrisse acidentalmente, um cheiro forte de enxofre contaminou todo o interior do veículo, fazendo Bertram abrir as janelas a procura de ar puro. Todas as cartas pareciam refletir a forte luz quase como se fossem foliadas por um metal reluzente, entretanto a parte frontal não possuía imagem à mostra como se obrigasse Bertram abrir o papel amarelado em busca de informações. Não havendo outra opção desdobrou rapidamente e leu a escritura presente na folha.

Aux pionniers de l'avenir, j'offre ce magnifique présent. Esprit fragile bravant le destin, il n'y a pas de retour en arrière possible.

  • Fabricado e distribuído por Lá Kontemier.

  • Data da fabricação: 16/08/1988.

  • Contém 72 cartas modelo vitruviano.

  • Garantia do produto para os primeiros 12 meses de uso, apenas assegurando danos de fábrica e não por quaisquer outros meios.

  • Lá Kontemier não se responsabiliza por acidentes causados pelo produto, assim como presente nos termos de uso.

  • Leia a seguir os requisitos para a política de devolução:

    No entanto a parte contendo as informações necessárias para realizar a devolutiva do produto não estavam presentes devido a um aparente rasgo, provavelmente fora arrancado anteriormente ou destruído por ação do tempo. Bertram embaralhou as cartas, quase como se buscasse passar o tempo sem se importar que se tratavam de evidências investigativas, retirou uma carta do meio da pilha e saltou para trás quando viu sua face, a figura de um rei segurando uma espada juntamente com uma balança e o texto "A Justiça" apareceu repentinamente, porém isso era impossível afinal Bertram havia inspecionado cuidadosamente cada peça e nenhuma exibia imagem alguma, racional como sempre imaginou que poderia ter deixado passar mesmo que com total convicção de sua saúde visual. Indiferente com o ocorrido colocou a carta na parte superior do monte, guardou tudo novamente na caixa roxo púrpura e saiu em direção a delegacia. Momentos antes de cruzar uma pequena escadaria que permitia acesso ao interior do departamento as portas de um restaurante próximo se abrem e totalmente ferido por marcas de queimadura sai um homem alto, não muito musculoso, braços tatuados e visivelmente atormentado por uma dor inimaginável, correu até um lago próximo e pulou, boiou até a superfície sem demonstrar nenhum outro movimento. Dois policiais chegaram logo em seguida para apreender o suposto assaltante, segundo relatos enquanto obrigava o atendente a depositar todo o dinheiro em uma bolsa apontando uma arma e ameaçando atirar, o homem simplesmente entrou em estado de combustão espontânea fazendo assim com que saísse correndo para fora do estabelecimento.

  • "Caso curioso, não é mesmo? No final de tudo a justiça sempre acaba pegando esses marginais." - Comentou um dos policiais.

  • "Justiça divina esta então, só esperava que ele não tivesse se jogado no lago isso facilitaria muito o trabalho." - Respondeu outro oficial antes de seguirem rumo a Bertram, que estava parado em frente a delegacia.

Ato 4: O julgamento.

Bertram adentrou a delegacia silenciosa e dirigiu-se a uma pequena sala que estava sendo disponibilizada pelo departamento para a realização de seu trabalho, passou as próximas horas escrevendo diversas folhas e as depositou na sala ao lado onde um homem de meia idade descansava deitado sobre a mesa. O baque da pilha de arquivos sobre a bancada acordou o cidadão que logo se prontificou a realizar um relatório do acidente de ônibus ocorrido na mesma manhã com as informações adicionais coletadas pelo detetive.

  • "E de toda essa investigação tudo que você pegou foi uma caixa de baralho? Sério, não tinha nada mais importante na sua vista? Nem chegou a revistar quem te atacou." - Disse o homem em um tom de deboche.

  • "Fique sabendo que uma equipe já esta revistando a casa, eu só fiz a primeira análise do território." - Disse Bertram, corrigindo o homem.

  • "Sempre com essa mania de querer ser o protagonista Bertram, mas tenho uma proposta para você." - Falou abrindo a porta da sala um homem fardado.

  • "Capitão Russelv, eu já estava de saída apenas vim deixar os dados da investigação com Gennaro." - Afirmou o detetive.

  • "Meu caro Bertram quero lhe apresentar Vanessa, ela acabou de se formar na faculdade de direito e recomendei você para ser tutor nessa etapa inicial, claro se aceitar." - Disse Russelv com esperança.

Vanessa era baixa, loira, usava óculos de meia-lua e parecia muito tímida com toda a situação.

  • "Como quiser senhor." - Disse Bertram secamente.

  • "Ótimo, vejo vocês em 20 minutos? Estou sem de oficiais para o julgamento de um meliante, coisa rápida." - mencionou o capitão, já ao lado de fora da porta.

  • "Claro, estaremos lá." - Afirmou Bertram, enquanto Vanessa concordava com a cabeça.

Os tempo que sucedeu a visita do capitão foi empenhado no estudo do caso antes do julgamento e alguns minutos antes de seu início Bertram e Vanessa já estavam preparados em seus devidos lugares no tribunal. Por uma grande porta com Têmis, a deusa da justiça entalhada na madeira entrou um jovem, aparentava ter completado a maioridade recentemente, o garoto era acusado por desferir golpes em uma professora da faculdade na semana anterior, deixando-a gravemente ferida. Não demorou muito e foi posto em arquivo seu julgamento, Bertram estava indiferente com a situação quase como se lamentasse o tempo perdido, porém Vanessa aparentava estar super empolgada com seu primeiro trabalho, de fato ela havia se saído muito bem e apresentou os fatos com clareza. O clima de empolgação da moça logo foi tomado por desespero, uma equipe de paramédicos percorria toda a delegacia e a notícia logo chegou aos ouvidos de Bertram, Gennaro estava gravemente ferido ao que aparentava ser um caso inexplicável.

  • "Ferimentos graves ao lado da cabeça, o telhado desabou, estranho afinal a delegacia não foi fundada a mais de uma década." - Explicou brevemente um doutor para o detetive e Vanessa.

Ao se situar sobre todo o ocorrido, Bertram correu rapidamente para a sala de Gennaro deixando Vanessa para trás. Chegando próximo a mesa onde havia depositado as evidências de seu caso era visível a caixa roxo púrpura aberta com algumas cartas viradas para cima em meio aos destroços do teto, ao se aproximar identificou dentre elas: A Torre e O Enforcado. Coletou tudo e saiu pelos fundos evitando se encontrar novamente com qualquer pessoa, rasgou o baralho e jogou-o em uma lixeira próxima ao seu carro antes de dirigir para casa.

Ato 5: Maldição.

Bertram acordou na manhã seguinte sem muita expectativa, animou-se ao receber a notícia de que Gennaro estava bem e ficaria afastado por alguns meses. Tomou café enquanto lia as manchetes do jornal quando ouviu uma batida em sua porta, ao abrir não havia ninguém apenas uma caixa roxo púrpura com um papel não mais amarelado que continha as seguintes informações:

Aux pionniers de l'avenir, j'offre ce magnifique présent. Esprit fragile bravant le destin, il n'y a pas de retour en arrière possible.

  • Fabricado e distribuído por Lá Kontemier.
  • Data da fabricação: 29/07/2018.
  • Contém 72 cartas modelo vitruviano.
  • Garantia do produto para os primeiros 12 meses de uso, apenas assegurando danos de fábrica e não por quaisquer outros meios.
  • Lá Kontemier não se responsabiliza por acidentes causados pelo produto, assim como presente nos termos de uso.
  • Lá Kontemier não aceita mais pedidos de devolução desde 08/02/1999.
  • Fabricado a pedido de: Bertram.

O detetive coletou a caixa e fechou a porta para jogá-la no lixeiro logo em seguida. Uma Pesquisa profunda na internet a respeito de uma empresa chamada Lá Kontemier demonstrou resultados insatisfatórios, aparentemente havia fechado completamente em fevereiro de 1999 o que tornava impossível receber uma encomenda totalmente nova fabricada a tão pouco tempo. O telefone toca e Bertram atende sem hesitar.

  • "Olá bom dia, central de atendimento Lá Kontemier estou ligando para informar que seu pedido já está a caminho." - Disse um atendente muito animado do outro lado da linha.

  • "Eu não pedi nada, quem são vocês afinal? Me deixem em paz!" - Gritou Bertram com o celular em mãos.

  • "Sinto muito senhor, Lá Kontemier não aceita mais pedidos de devolução desde 08/02/1999, aproveite sua compra." - Mencionou o atendente antes de desligar.

Bertram verificou o histórico de ligações para entrar em contato novamente, porém não haviam registros de qualquer pessoa que tenha ligado desde o final de semana anterior. Irritado com toda a situação decidiu revirar o lixo e olhar novamente o produto, abriu a caixa roxo púrpura e embaralhou as cartas retirando três delas de cima do monte, as quais era possível ler: A Roda Da Fortuna, Os Amantes e A Imperatriz. O detetive retirou as figuras das demais e virou rapidamente de modo que a boca do baralho ficasse visível, apenas para observar que não haviam mais imagens como se nunca tivessem existido. A tarde seguiu na normalidade de sempre, Bertram se encontrou com Vanessa e explicou o cronograma sem mencionar os acontecimentos do dia anterior, logo recebeu outra ligação que atende rapidamente.

  • "Oi Bertram, eu estava pensando se poderíamos sair para jantar hoje a noite? Fui demitida do meu emprego a alguns dias, mas você está tão empenhado no seu caso que não quis incomodar." - Falou uma voz feminina, era Lucia a namorada de Bertram.

  • "Está bem corrido por aqui ultimamente, avisarei se sobrar tempo a noite." - Respondeu Bertram.

Antes que desligasse o celular Russelv entrou pela porta do escritório afirmando que o detetive estava dispensado pelo resto da semana devido ao ocorrido com Gennaro.

  • "Bom isso é um sim?" - Disse Lucia que havia escutado as palavras do capitão.

  • "Até de noite, fique pronta." - Requisitou o detetive antes de desligar.

Embora não quisesse vincular o ocorrido a carta de Os Amantes que havia lido anteriormente era uma afronta para Bertram que sempre se considerou cético. Como se não bastassem provas para comprovar o efeito do tarô, logo que passou por uma lotérica na saída da delegacia decidiu testar se A Roda Da Fortuna teria resultado e comprou uma raspadinha, que para sua infelicidade continha o premio máximo de milhões de libras. Bertram agora estava rico.

Ato 6: A Imperatriz.

Não houve muito tempo para comemorar, de forma repentina um carro preto de luxo parou logo ao lado do detetive que estava inconformado com todo a situação e em plena luz do dia dois homens encapuzados anunciaram:

  • "Entre no veículo ou eu atiro em você, somos maioria então não tente nada!" - Exclamou um dos sequestradores.

Sem outras alternativas, Bertram adentrou e sentou no centro do banco para passageiros deixando livre suas laterais para as duas figuras não identificadas. Os homens que haviam o ameaçado pertenciam a uma gangue muito famosa na região, seu destino até o momento parecia desconhecido para os demais, porém o detetive já imaginava o que poderia ocorrer devido a leitura das cartas feita anteriormente. Não demorou mais que alguns minutos para chegarem até um galpão abandonado a alguns quilômetros do centro urbano, Bertram foi carregado até uma sala suja com não mais que dez metros de comprimento e uma mesa ao centro circulada por cinco cadeiras mal ajustadas para as quatro pessoas que aguardavam a chegada do detetive, algumas chorosas e outras com olhares mortos. Bertram acomodou-se no único lugar restante junto aos demais e então a ordem veio:

  • "Um revolver, uma bala, cinco pessoas. Aponte para quem quiser ou atire na própria cabeça, se tentar matar alguém e errar deverá repetir o turno em si mesmo duas vezes." - Mencionou o sequestrador.

Pela primeira vez em décadas o coração de Bertram parou por um momento, nunca havia se colocado em tal grau de perigo antes, mesmo que gostasse de sentir o gosto da adrenalina. A arma foi entregue em primeira mão para uma garota oriental posicionado exatamente a frente do detetive, a qual não hesitou em rapidamente apontar para Bertram e puxar o gatilho. Um audível estalo foi emitido, porém nenhum projetil saiu do armamento, logo o supervisor caçoou:

  • "Imprudente, é assim que quer desperdiçar sua vida?" - Falou o homem encapuzado quase em tom de riso, dois ao seu lado caíram na gargalhada.

Bertram se aliviou por um momento, porém a sensação foi cortada por um estrondo e sangue jorrando para todos os lados devido a tentativa fracassada da moça em atirar na própria cabeça.

  • "Ela era psicopata, não demonstrou reação alguma." - Comentou um homem com sotaque alemão.

Agora um novo revolver estava em frente a uma mulher alta com cabelos castanho escuro e roupa chique como se acabasse de sair de uma festa de alta classe.

  • "Não, não, não, não, não! Eu não quero, eu não posso morrer!" - Gritou a moça com lágrimas nos olhos se jogando na mesa, não aparentava ter tanto desespero até segundos atrás, porém a cena anterior parecia ter abalado seu psicológico.

  • "Vamos jogar um jogo então, tenho em meu bolso quatro figuras e caso você acerte qual tem brilho metálico eu lhe permito atirar em quem quiser sem penalidade, mas se errar eu mesmo me certifico de atirar em você." - Sadicamente disse o anônimo.

Bertram sinalizou para que a mulher não escolhesse esta opção, porém foi ignorado pelo desespero da garota, afinal seria mais fácil sair com vida em uma escolha com quatro opções. A elegante moça demonstrou afirmação com a cabeça.

  • "Ótimo, vamos lá: O Espelho, A Onça, O Guepardo e O Bobo Da Corte." - O homem citou cada uma das opções lentamente.

  • "A... A Onça...?" - Disse a mulher soluçando em lágrimas.

  • "É uma lástima, você errou querida." - O rapaz encapuzado retirou um revolver da cintura e atirou cinco vezes na parte de trás da cabeça da moça bem vestida, sujando sua veste chique de vermelho.

A arma foi posta cuidadosamente em frente a Bertram e lhe foi feita a mesma proposta das figuras, porém desta vez o homem as citou antecipadamente antes da escolha do detetive.

  • "O Iluminado, A Tartaruga, A Imperatriz e O Cavalo. Qual vai ser? Escolhe as cartas ou prefere apostar sua sorte na roleta?" - O homem disse me um tom desafiador.

  • "A Imperatriz!" - Exclamou Bertram sem pensar duas vezes.

  • "Garoto de sorte, pode atirar em quem achar melhor." - Sugeriu o sequestrador.

O detetive abriu o tambor de munições, ajustou para que o próximo tiro fosse certeiro e apontou para as figuras encapuzadas. Não houve resistência, afinal as palavras foram claras que a escolha do alvo não seria questionada, Bertram atirou na perna da maior pessoa barrando a porta, a qual foi redirecionada para fora da sala e imediatamente substituída por outro criminoso. Bertram olhou em volta como se procurasse alguma outra alternativa de fuga, visualizando uma câmera logo acima da entrada. O revolver foi passado adiante para o estrangeiro com sotaque alemão que logo decidiu tentar a sorte atirando em si próprio e mantendo-se vivo, porém a ultima pessoa não atirou em ninguém e tão pouco em si mesma, apenas apontou para o dispositivo acimada da porta e disparou.

  • "Merda! O que você acha que está fazendo?" - Gritou uma voz desconhecida emitida por alguns alto-falantes nos cantos da sala.

  • "Acabando com o seu showzinho, acha que não percebemos que estava apenas se divertindo assistindo nosso sofrimento?" - Exclamou uma mulher ruiva com diversas sardas no rosto saindo das sombras.

  • "Que seja, levem eles para os fundos, decidirei seu destino amanhã." - A voz desconhecida encerrou o discurso.

O alemão, a garota ruiva e Bertram foram direcionados a uma sala que possuía apenas um pequeno buraco na parede com não mais de quatro centímetros para a circulação de ar. Uma grande porta se fechou logo atrás do trio e uma fraca luz se acendeu acima do grupo.

Ato 7: Esperança.

Bertram analisou os bolsos a procura de seu celular ou alguma ferramenta útil para a situação, demonstrou surpresa ao perceber que não reparara o momento em que os sequestradores retiraram seus pertences, provavelmente durante a viagem de carro. Todos pareciam desacreditados, exceto pelo detetive que após longas horas ainda estudava possibilidades de fuga, o silencio foi cortado pelo som da porta frontal se abrindo acompanhada de quatro figuras armadas e indistinguíveis entre si, nas mãos do maior dentre os homens havia uma caixa não mais peculiar para Bertram, era roxo púrpura com detalhes em dourado que formavam o desenho de um globo ocular.

  • "Hahaha muito engraçado, quero saber quem é o engraçadinho que conseguiu pedir essa encomenda. Bertram? Quem é Bertram? Por acaso é você seu alemão de merda!" - Gritou o criminoso segurando a caixa em um tom sádico.

  • "Se refere a mim." - Exclamou o detetive levantando a mão.

  • "Eu não sei como conseguiu fazer isso chegar até aqui, afinal é um baralho de tarô? Mas nem tem figuras nele. Ah quem liga, eu vou brincar um pouquinho com essa cartas, não acredito que alguém realmente acredita nessas baboseiras." - O homem questionou rindo.

A grande porta se fechou novamente, porém o quarteto de sequestradores se manteve próximo a sala de maneira que era possível escutar suas conversas mesmo que de uma distância consideravelmente longa, então Bertram se aproximou da saída e todos fizeram silencio no interior do quarto.

  • "Como você fez isso Norberto? Analisei carta por carta e nenhuma possuía figura alguma." - Disse um dos homens surpreso.

  • "Eu sei lá, só embaralhei e tirei algumas, acho que sua visão está piorando recentemente Pierre." - Respondeu Norberto.

  • "E o que diz? Você por acaso sabe ler essas porcarias?" - Bradou uma terceira voz desconhecida até o momento.

  • "Bom, não parece grande sorte, O Diabo, O Enforcado, A Torre e A Fogueira." - Norberto leu rapidamente nas cartas.

  • "Joga isso fora, é baboseira, fico incrédulo como esses otários fizeram essa porcaria chegar até aqui." - Pierre disse finalizando a conversa.

Bertram se afastou da porta e pareceu contente com o que havia escutado, as perguntas logo vieram:

  • "Afinal de contas, o que essa caixa?" - Disse a garota ruiva impacientemente.

  • "Nossa oportunidade de fugir." - O detetive respondeu.

O homem alemão parecia dormir próximo a uma das paredes, afinal o cômodo não possuía camas ou qualquer outra coisa. Bertram esperou pacientemente por longas horas de conversas sobre suas vidas, havia descoberto muito a respeito do passado tanto da garota quanto do estrangeiro. Chamava-se Otto, a pouco tempo tinha se mudado para a região e era originalmente alemão, trabalhava na área de desenvolvimento de aplicativos mobile e também pai de dois garotos com menos de dez anos. A garota disse se chamar Eleonora, não quis dar mais detalhes sobre sua vida, apenas mencionou que era artista e pintava quadros frequentemente com sua amiga de faculdade, Bertram entretanto destrinchou detalhadamente sobre seu caso e vida como detetive profissional, normalmente reconhecido por desvendar casos paranormais que nunca passaram de apenas lendas aumentadas pela população, embora todos o valorizassem mais por lendas e mitos do que seu trabalho verdadeiro. Depois de muita espera finalmente a entrada da sala finalmente se abriu novamente.

  • "Ok, isso já está ficando irritante, eu tenho certeza que taquei fogo nessa merda de baralho assim que saímos do galpão então sem chances de ser o mesmo, como caralhos vocês está pedindo essa porcaria!" - Gritou Pierre em fúria, agora Bertram havia reconhecido sua voz.

Antes de terminar seu discurso de ódio o alarme de incêndio disparou e uma parede de chamas era visível ao fundo.

  • "Ah merda, foda-se eles, vão provavelmente morrer no incêndio, só fecha essa porta e vamos vazar daqui." - Anunciou a voz de Norberto.

Pierre puxou rapidamente a maçaneta e os fechou novamente na sala, porém no desespero esqueceu-se de tranca-la por fora. Bertram, Eleonora e Otto saíram apressadamente e seguiram na direção oposta aos sequestradores, buscando escapar pelos fundos. O galpão era pequeno e não demorou muito para chegarem ao exterior, ouvia-se ao fundo apenas o som de uma caminhonete acelerando rumo a estrada. Não muitos minutos depois uma equipe de bombeiros chegou até o local e Bertram explicou a situação, logo foram recuperados todos seus pertences que haviam sido colocados em diversas sacolas provavelmente para serem revendidos posteriormente. O detetive olha o celular e percebe o horário, já estava quase na hora de seu jantar com Lucia, então avisa ela de seu atraso e todo o ocorrido, detalha a situação para os policiais, consegue os contatos de Eleonora e Otto e após tudo segue em direção ao restaurante, não antes de se arrumar para a noite.

Ato 8: Obsessão.

Bertram não mencionou o fato de que havia ficado rico na mesma tarde, apenas oferece o melhor tratamento possível para Lucia. Sua noite estava maravilhosa, afinal todas as cartas que tirou pela manhã tiveram efeitos positivo e sua vida estava apenas melhorando, porém uma dúvida o corroía: Talvez as cartas mostrem a solução do caso, talvez sejam realmente magicas e consigam fornecer a resposta de todos os outros trabalhos que o detetive assumir. Ao final do jantar Bertram deixou Lucia em casa e dirigiu para sua residência, ao entrar revira rapidamente as gavetas em busca do baralho de tarô, encontrando-o em meio a diversos papéis, rapidamente espalha cartas pela mesa a procura de um norte para sua investigação, confiante do resultado. Dentre tantas apenas três apresentavam figuras definidas: O Criminoso, A Justiça e A Tempestade, Bertram fez um sorriso satisfeito e recolheu as cartas guardando-as em sua caixa roxo púrpura novamente. Na manhã seguinte uma forte notícia chega pelo noticiário do jornal, os sequestradores do dia anterior haviam sido encontrados mortos em uma batida de carro alguns quilômetros do galpão, aparentemente o incêndio foi causado por um descuido do líder da gangue que perdeu o controle na tentativa de acender um charuto. O celular toca e Bertram atende.

  • "Bom dia capitão Russelv, algum problema?" - O detetive questionou.

  • "Estou ligando apenas para lhe repassar as informações coletadas pela polícia na casa abandonada em que entrou a alguns dias." - Disse Russelv se preparando para uma explicação.

  • "Me conte mais, por favor." - Bertram pediu rapidamente.

  • "Segundo as análises um morador de rua estava se abrigando na morada a algum tempo, foi encontrado diversos resquícios de rituais e magias feitas pelo mesmo, provavelmente ele estava afastando usuários de substâncias alucinógenas do lugar." - O capitão explicou.

  • "Então sem chances do motorista daquele ônibus ter passado por lá?" - Bertram perguntou em tom insatisfeito.

  • "Zero." - Afirmou Russelv.

Furioso com a informação, Bertram se despede do capitão e rapidamente procura a caixa roxo púrpura que estava acima de uma escrivaninha. O detetive abriu-a furiosamente e distribuiu diversas cartas por todo o chão, enquanto uma fina chuva aparentava começar no lado de fora. Entre tantas apenas quatro figuras apareceram: O Hierofante, A Imperatriz, O Bobo Da Corte e O Louco. Bertram entretanto não satisfeito embaralhou novamente e fez outra leitura, agora com cinco cartas: A Força, A Justiça, O Eremita, O Imperador e O Julgamento. Após ente momento de loucura alguém bate em sua porta, ao atender Bertram visualiza um homem alto, com um terno e chapéu preto, uma gravata vermelha e muito bem arrumado.

  • "Olá muito prazer me chamo Luciano e sou gerente do setor de distribuição Lá Kontemier." - Disse a figura animada enquanto convidava o detetive para um aperto de mão.

  • "Ao que devo a honra se sua presença?" - Bertram perguntou tentando soar cordial, porém ignorando a tentativa do desconhecido.

  • "Venho informar de uma quebra nas diretrizes de uso ocasionado pelo senhor." - Respondeu Luciano recuando a mão.

  • "Detalhe-me mais." - Requisitou o detetive.

  • "Leia com seus próprios olhos, por favor." - Mencionou o homem ao entregar um folheto para Bertram.

O detetive coleta o papel e lê por cima.

Instituto de distribuição e sigilo Lá Kontemier:

  • Usuário: Bertram Cartier.
  • Horário da infração: 01/10/2018 às 07:46 da manhã.
  • Infração cometida: Parágrafo três, quarto item.
  • Penalidade: Aviso cortês.

Bertram fez uma expressão desacreditada, não entendendo como era possível que soubessem o que havia acabado de fazer, porém ao voltar os olhos novamente para a entrada a figura alta não estava mais presente e a chuva começava a piorar fazendo o detetive fechar a porta. Bertram decidiu passar pela delegacia durante a tarde mesmo que estivesse dispensado por mais alguns dias a fim de distrair a cabeça, no entanto ao se aproximar de uma rua deserta devido ao aumento da precipitação Bertram avista ao longe uma garota baixa e loira.

  • "Vanessa, indo para o departamento? Quer uma carona?" - O detetive convidou a mulher.

  • "Claro, está muito frio aqui fora." - Disse Vanessa em direção ao carro e adentrando o veículo.

Ao chegar na delegacia Bertram e Vanessa são recebidos por Russelv que os direciona para tomar um café e conversar em sua sala. Depois de algumas horas de falácias sem importância, porém benéficas para sua saúde mental, o detetive se retira do estabelecimento deixando Vanessa sozinha com o capitão. O decorrer do dia não foi empolgante, embora Bertram esperasse a resposta das cartas lidas pela manha, mas que provavelmente tiveram seu efeito anulado pela advertência do homem alto de chapéu, então sem muita expectativa o detetive fez outra leitura ao chegar em sua casa: O Sol. Apenas uma figura apareceu diferente de todas as outras vezes, porém Bertram pareceu animado com o aguardo de seu efeito.

Ato 9: Arrependimento.

A noite foi infernal para o detetive, havia deitado em sua cama exatamente às vinte horas, mas para sua infelicidade já era de madrugada quando desistiu de pegar no sono. Bertram ficou por casa nesta tarde para descansar a noite mal dormida, porém os dias que se seguiram apenas pioraram sua vida. Lucia ligou diversas vezes, apenas para ser ignorada pelo atual vício de seu namorado, o detetive se recusou a sair de sua residência enquanto não houvesse uma resposta concreta para sua previsão, mas temendo que já pudesse ter sido concretizada pois havia dias que não conseguia dormir. Insano com o ocorrido Bertram decidiu fazer outra leitura rápida de cartas buscando uma fuga da situação em que se encontrava, fazendo O Sol se revelar três vezes consecutivas. O detetive jogou a caixa roxo púrpura contra a parede ao lembrar do acidente com Gennaro e se culpar pelo ocorrido, no entanto possuía também um desejo dentro de si.

  • "PAREM, POR FAVOR, FAÇA PARAR!" - Bertram gritou para o nada.

Embora desejasse o fim de seu sofrimento também almejava o sucesso trazido pelas figuras brilhantes, por este motivo começou a proferir leituras a cada vinte minutos ou meia hora. Três dias depois do início de sua paranoia diversas pessoas já estavam preocupadas com o desaparecimento do detetive, o qual se refugiou em uma morada de madeira abandonada a diversos quilômetros da cidade a fim de não ser interrompido em suas previsões.

  • "Ele foi sequestrado duas vezes seguidas no mesmo mês?" - Brincou Gennaro em uma chamada pelo telefone.

  • "Não brinque com isso, ele estava bem quando saiu do departamento" - Respondeu Vanessa com uma voz tremula.

  • "Estamos fazendo nosso máximo, fique tranquila." - Russelv acalmou a garota com alguns tapinhas nas costas.

Enquanto diversas viaturas percorriam a cidade em sua procura, Bertram continuava a se lamentar.

  • "Dormir... Eu... Não mais... Preciso... Comida... Sede... Ajuda..." - O detetive murmurou deitado ao chão de madeira.

A figura de Luciano surgiu em meio as sombras carregando a caixa roxo púrpura enquanto Bertram se encolhia no canto do quarto escuro com medo do homem que colocava em sua frente o baralho de tarô insistindo que ele fizesse uma leitura. Uma inesperada chuva tomou força e o detetive desmaiou.

Ato 10: O Tarólouco.

As gotas da fina chuva batiam na janela quando a silhueta desfigurada de Bertram ficou visível rapidamente pela luz de um raio que cortou os céus, sobreviveu a base de animais mortos e a água da chuva que adentrava a casa por pequenas rachaduras no telhado, mantendo-se vivo por semanas a fio, mas não dormiu neste meio tempo. Um barulho calmante de cartas nervosamente sendo embaralhadas ecoa pelos corredores do casebre, a figura raquítica do homem se desloca até uma janela próxima e coloca cinco cartas sobre o batel, identificando entre elas: O Sol, O Louco e A Torre. O som de algum invasor adentrando seu território desperta um alerta em Bertram, que se esconde rapidamente nas sombras deixando o baralho à mostra próximo a janela.

  • "Olha isso cara, são cartas laminadas em prata? Devem valer uma grana." - Mencionou um garoto adolescente para seu amigo.

  • "Pega tudo, vou levar algumas joias que achei no quarto ao lado também." - Respondeu o outro menino com entusiasmo.

  • "Meu..." - O detetive tentou gritar em desespero, assustando os moleques que saíram correndo com o susto.

Bertram partiu em disparada atrás da dupla e logo agarrou a perna de um dos invasores.

  • "ME SOLTAAAAAAA!" - Gritou o garoto em desespero chutando o detetive.

  • "MEUUUUUUUUU!" - Bradou Bertram em resposta.

Antes que pudesse reagir foi acertado na cabeça com um vaso de planta jogado por uma terceira pessoa desconhecida dando oportunidade para a fuga dos rapazes que levaram consigo a caixa roxo púrpura. O detetive acordou somente na manhã seguinte deitado em meio a sala da antiga casa de madeira com o som de batidas na porta frontal, Bertram se arrastou até a entrada e Luciano entrou trazendo uma encomenda preta com um olho gravado em amarelo dourado, deixou-a acima de uma mesa e saiu. Com muita luta Bertram chutou o pé da bancada até derrubar a caixa, esta que não possuía um baralho de tarô completo em seu interior apenas três cartas visivelmente postas em destaque para facilitar a leitura e uma folha de agradecimentos, a qual revistou lentamente.

Setor de reembolso Lá Kontemier, Agradecemos a preferencia pelo uso de nossa mercadoria.

Data da devolução: 24/09/2018.

Bertram voltou os olhos para a pequena caixa preta em sua frente e identificou as três figuras presentes dentro do recipiente: O Enforcado, O Detetive e O Diabo. Uma sombra negra se projetou na parede próxima ao detetive, possuía chifres.

  • "Durma bem, Bertram." - Sussurrou Luciano, mais conhecido como Lucifer.

Notas ao leitor:

Esta é uma pequena história que comecei a escrever o primeiro ato e parte do segundo por volta de novembro de 2025 (Quase um ano atrás), porém havia desistido de terminar e recentemente me inspirei para continuar escrevendo. Posso citar aqui algumas inspirações que tirei para colocar em meu texto:

1 - Bertram, Eleonora e Gennaro são nomes de personagens do livro Noite Na Taverna, de Álvares de Azevedo.

2 - A ideia do tarô foi tirada do jogo Phasmophobia, onde existe um objeto amaldiçoado que realiza dez efeitos dependendo da carta tirada.

3 - O objetivo era separar em pequenos atos ao invés de longos capítulos para formar uma história curta e rápida de ser lida.

4 - Gostaria que os parágrafos ficassem mais visíveis durante o texto (Pode ser algo legal de adicionar no site futuramente ou talvez eu que não saiba como fazer)

5 - Desde o inicio a meta era fazer o protagonista (Bertram) ao final da história ser corrompido pelo tarô, porém os acontecimentos foram escritos ao longe de alguns dias (Mais ou menos 2 ou 3 atos por dia conforme me vinham ideias), então a história pode soar meio repentina e com poucos conteúdos envolvendo alguns personagens como Otto, Eleonora e talvez Lucia ou Vanessa.

6 - Esta foi a segunda história que já tentei escrever então posso não ter tanta experiencias nas palavras, mas fique a vontade para escrever críticas construtivas.

7 - Fiz 90% da história gripado kk.

Ademais acho que é isso👋👋