La Sombra Parte 3

Publicado em

Finalmente cheguei a minha cidade parei em frente de casa desliguei o motor é fiquei sentado em silêncio por um instante, Eu precisava acabar com essa loucura Coisas Saindo das Paredes, Observadores me sufocando a noite espiando pela janela de alguém como um intruso tudo isso era insanidade!, Amanhã eu começaria do zero sem mais escrever sobre minhas experiências de infância, Sem mais reviver noites de terror Apenas voltando ao normal passando tempo com minha namorada, é acima de tudo reafirmando minha crença fé é confiança na ciência é na racionalidade, Mas então a coisa no banco de trás se inclinou me agarrou pelo ombro é exalou um hálito fétido é rançoso vindo do fundo dos pulmões na minha nuca, Corri para a Porta meus braços se debatendo a procura da fechadura, o medo me dominou me sacudiu um medo que eu me lembrava muito bem, de tantos anos atrás de quando eu ficava acordado a noite naquele quarto sufocante, o interior do carro estava muito mais frio mas isso não era nada comparado aos dedos gelados que se cravaram no meu ombro, Sinceramente achei que ia morrer que essa criatura finalmente ia conseguir o que queria depois de todo esse tempo, a maçaneta da porta escapou da minha mão em Pânico é eu caí do banco do motorista no asfalto, Por um breve instante achei ter visto algo no banco de trás vago a figura de um homem porém retorcida é destorcida com um sorriso de orelha a orelha, Felizmente não havia ninguém por perto pois se houvesse eu teria parecido um louco, já que o carro estava vazio Peguei as chaves da ignição é fechei a porta com o pé trancando-a pelo resto da noite, Desci cambaleando o caminho até minha casa Não vou mentir bebi até dormir ontem á noite, Você deve se lembrar que eu disse ter provas físicas reais de algo sobrenatural, Talvez esteja se perguntando quais são essas provas eu poderia dizer que foram as marcas no meu ombro que me fizeram estremecer de medo, ou poderia dizer que a Janela do meu quarto arrombada esta manhã com o que pareciam ser marcas de garras me deixou apavorado esta noite ou qualquer outra, Mas não nada disso me assustou tanto quanto o que vi hoje ao acordar, ao acordar esta manhã encontrei sobre meu peito um soldadinho de brinquedo, o mesmo que eu havia escondido em um buraco perto da minha antiga casa há tantos anos ele retornou pra mim como adulto mordido ao meio, a noite passada foi a mais angustiante é assustadora da minha vida, a essa altura já devo ter relatado o que aconteceu durante minha visita aquele lugar amaldiçoado que um dia chamei de lar, uma visita quê anunciou o retorno dos meus medos de infância, Não importa o que tenha me acontecido naquela ocasião nada poderia ter me preparado para a noite passada, Ao acordar com a visão arrepiante daquele soldadinho de brinquedo, Descobri que a janela do meu quarto estava entreaberta ao inspecionar mais de perto, Ficou claro que a janela havia sido arrombada por fora as trancas estavam tortas, Fora de Posição como se tivessem sido submetidas a uma força bruta desenfreada, Do lado de fora olhando para dentro pude ver três marcas onde o invasor havia usado algum tipo de ferramenta, para forçar a janela a abrir a tranca de forma anormal, O que era peculiar nessas marcas era que elas pareciam cortar a parte externa da moldura da janela como uma navalha velha é irregular, ao contrário de um pé de cabra ou outro instrumento que teria deixado apenas uma marca onde foi usado para forçar a abertura da janela, Nada havia sido roubado é tentei racionalizar as marcas na janela como sendo feitas por humanos, é não como garras como pareciam O soldadinho de brinquedo voltou para mim com tanta violência quê não consegui explicar meu coração afundou só de pensar nisso, Eu sabia quê era uma mensagem mas me pareceu mais uma piada macabra anunciando a chegada do meu predador de infância de algo para ser decifrado ou interpretado, Passei a Manhã verificando cada cômodo da minha casa nada havia sumido, Só me restava esperar que aquele demônio que estivera no banco de trás do meu carro, tivesse desejado apenas me assustar uma última vez e depois ir embora, Talvez seu alcance fosse enfraquecido tão longe do meu quarto de infância, Meus pensamentos naturalmente se voltaram para dentro daquelas noites terríveis da minha infância, Fui reapresentado á apreensão da hora de dormir a saudade do dia, é a ansiedade da noite como um velho é implacável inimigo, meu medo cresceu ao longo do dia corroendo-me por dentro e levando a pensamentos estranhos é sinistros, Sobre sem querer ter levado aquela coisa para minha casa, Eu sabia quê Maria estaria em casa naquela noite Ela trabalha com eventos de promoção, é por isso costuma ficar dias fora de casa viajando pela Espanha para coordenar diversas conferências e exposições, Não me queixo disso pois tanto ela quanto eu sabemos que sou uma pessoa solitária e que alguns dias de solidão geralmente me fazem bem, permitindo-me mergulhar na escrita absorvendo cada palavra sem interrupções, Apesar disso sempre sinto saudades dela é com os acontecimentos da última semana revivendo aquelas noites torturantes é permitindo que elas retornassem senti muito mais saudades dela como jamais havia sentido antes, Ela chegou por volta das 18h é eu a cumprimentei com um sorriso um abraço caloroso é um beijo apaixonado, Tentei esconder dela meu estado de espírito perturbado mas Maria me conhece melhor do que ninguém e imediatamente perguntou o que está errado, Eu Gaguejei é Me Atrapalhei com as palavras explicava a ela que havia escrito uma história sobre minha infância é que explorar aquelas memórias sombrias e perturbadoras me deixara angustiado, Maria tem uma natureza incrivelmente carinhosa e imediatamente colocou sua mala é bolsas no chão me sentou no sofá e com sua gentileza e delicadeza pediu que eu contasse toda a situação, Mas eu não consegui eu não podia mencionar essa coisa essa criatura desprezível que agora havia encontrado o caminho até nossa casa um invasor invisível e perverso que fora levado até lá pela minha curiosidade idiota!, Na época achei que ela me acharia um louco mas agora como eu gostaria de ter lhe dito a verdade!, Contei lhe a ela uma meia-verdade Contei lhe a minha história da coisa no quarto estreito, do observador no pé da minha cama mas foi aí que a verdade terminou é a mentira começou, Mencionei de forma enganosa que era apenas fruto da minha imaginação de criança e omiti as minhas experiências ao retornar ao local daqueles crimes depravados, Sabendo que ela veria a tranca da janela danificada e as marcas de garras teci a minha teia, Enquanto contava uma grande história sobre acordar com um ladrão tentando invadir nossa casa e ter que espanta-lo, Eu menti para ela e ela demonstrou muita compaixão e gentileza pela minha mentira, Naquela época eu me envergonhei da verdade é agora me envergonho da mentira, Se eu tivesse sido sincero talvez pudéssemos ter enfrentado essa ameaça juntos, mas em vez disso aquela criatura se aproveitou da minha desonestidade e criou uma barreira entre nós, A noite chegou eu estava deitado na escuridão esperando, enquanto Maria dormia profundamente ao meu lado cada respiração um lembrete reconfortante de companhia, mas apesar da minha crescente aversão a solidão eu não conseguiria dormir naquela noite, Eu sabia que quando meu convidado indesejado aparecesse o faria com sutileza aumentando seu domínio sobre mim a cada visita, Como se precisasse de tempo para fortalecer-se uma sanguessuga se alimentando do meu medo em busca de conforto, Eu resistia admiravelmente ao ataque iminente do sono porém a biologia venceu e enquanto meu despertador se aproximava das 4 da manhã o sono me dominou, o sono por mais profundo que seja raramente é completo Enquanto eu pairava na iminência de um sonho algo começou a me incomodar, Algo invasivo porém distante abri os olhos lentamente e deixei que se acostumassem a escuridão, Maria dormia profundamente e eu me acalmei ouvindo sua respiração na noite Inspiração seguida de expiração comecei a adormecer lentamente, Mas não alí estava algo diferente distinto porém indefinível, Era distante fora do alcance quase obscurecido ou abafado como se viesse de trás de algo, Forcei a Audição na tentativa de defini-lo mas estava tudo muito silencioso, Permaneci na cama por mais alguns minutos mas a cada segundo que passava aquele som quase inaudível me incomodava mais como cacos de vidro em um nervo exposto, o sono havia sido abandonado e com muita frustração decidi a contragosto investigar a origem do ruído, Sentei-me na cama e escutei atentamente Era diferente de qualquer outro som que eu ja tivesse ouvido, Silencioso baixo mas a medida que minha mente se ajustava ao ruído comecei lentamente a decifrar sua natureza, Certamente estava sendo abafado por algo mas a coisa mais proxima que consegui comparar foi um murmúrio repetitivo, Continua...