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Hoje é o meu aniversário de 21 anos e, para comemorar essa data de um jeito que combina comigo, decidi escrever uma história de terror. Desta vez, a protagonista é a minha persona, Eileen, vivendo um aniversário que ninguém gostaria de ter. Espero que vocês aproveitem a leitura... e talvez pensem duas vezes antes de apagar as velas. ———————————————————————————————
Durante toda a infância, Eileen acreditou que sua avó apenas gostava de assustar crianças. Todos os anos, antes de cantar os parabéns, a velha segurava suas mãos com força e repetia exatamente as mesmas palavras:
— Aproveite enquanto pode. Quando completar vinte e um anos, ele virá buscar o que é dele.
Ninguém levava aquilo a sério. Sua mãe revirava os olhos, seu pai mudava de assunto, e os convidados apenas riam, atribuindo a frase à idade avançada da senhora. Com o passar dos anos, a avó morreu, levando o segredo consigo. A vida continuou normalmente. Ou, pelo menos, era isso que Eileen acreditava.
Na noite de seu vigésimo primeiro aniversário, amigos e familiares encheram a casa. Havia música, presentes e um enorme bolo branco decorado com rosas de chantili. Pela primeira vez em muitos anos, Eileen sentia que poderia esquecer aquela antiga superstição.
Quando chegou a hora dos parabéns, ela contou as velas.
Uma.
Duas.
Três...
Vinte.
Franziu a testa.
— Mãe, você esqueceu uma vela.
— Não esqueci, querida. Tem vinte e uma aí.
Eileen contou novamente.
Ainda havia apenas vinte.
Os convidados começaram a cantar, mas suas vozes pareciam distantes, como se viessem debaixo d'água. Enquanto observava o bolo, uma chama surgiu sozinha bem no centro dele.
A vigésima primeira vela apareceu diante de seus olhos.
Ela não estava presa ao bolo.
Apenas flutuava, queimando silenciosamente.
Ninguém reagiu. Todos continuavam sorrindo. Todos continuavam cantando.
Às 21h21, o relógio da sala bateu uma única vez.
As luzes da casa se apagaram.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Quando a energia voltou poucos segundos depois, os convidados permaneciam exatamente na mesma posição. Nenhum deles parecia ter piscado.
Foi então que todos sorriram ao mesmo tempo.
Um sorriso largo demais.
Perfeito demais.
Como se estivessem treinando para parecer humanos.
— Apague a vela, Eileen.
Todos disseram exatamente a mesma frase.
Na mesma voz.
No mesmo tom.
Ela deu um passo para trás. Seu coração disparou quando percebeu que ninguém respirava. Os peitos permaneciam imóveis. Nenhum piscar. Nenhum movimento involuntário. Apenas aqueles sorrisos imóveis voltados para ela.
Sem pensar, Eileen saiu correndo da sala. Ao entrar no antigo quarto da avó, encontrou um pequeno diário escondido dentro de uma gaveta. As páginas estavam amareladas. Na primeira delas havia apenas uma frase.
"Se você está lendo isto, significa que ele finalmente chegou."
Suas mãos começaram a tremer.
A avó contava que, havia séculos, uma mulher da família fizera um acordo para salvar a própria vida. Em troca, todas as suas descendentes entregariam algo muito mais valioso ao completarem vinte e um anos.
Não era a alma.
Era a identidade.
Na noite do vigésimo primeiro aniversário, uma criatura conhecida apenas como O Convidado assumia o lugar da aniversariante.
A verdadeira Eileen continuaria existindo.
Mas presa.
Consciente.
Assistindo outra versão de si viver sua vida para sempre.
A única maneira de impedir a troca era descobrir quem era o verdadeiro Convidado antes da meia-noite.
Caso errasse...
Nunca mais voltaria.
Ao erguer os olhos do diário, Eileen percebeu alguém parado diante da porta.
Era ela mesma.
Os mesmos cabelos.
Os mesmos olhos.
A mesma roupa.
A cópia sorriu de uma maneira impossível.
— Você demorou para entender.
Eileen tentou correr, mas seu corpo não respondia. Sentia os braços pesados, as pernas dormentes, como se estivesse deixando de existir.
Sua cópia caminhou lentamente até ela e sussurrou:
— Não tenha medo. Eu vou cuidar da sua vida melhor do que você jamais conseguiu.
Lá embaixo, os convidados voltaram a cantar parabéns.
Só que agora havia dezenas de vozes.
Centenas.
Milhares.
Todas desafinadas.
Todas repetindo o nome de Eileen.
Quando o relógio marcou meia-noite, o silêncio tomou conta da casa.
Na manhã seguinte, a família encontrou Eileen preparando o café da manhã como se nada tivesse acontecido. Ela sorria, falava normalmente e abraçava todos.
Mas havia algo errado.
Ela nunca mais demonstrou tristeza.
Nunca mais chorou.
Nunca mais sentiu medo.
Todos diziam que, depois dos vinte e um anos, Eileen havia amadurecido.
Apenas uma fotografia chamou a atenção de sua mãe meses depois.
Na imagem tirada durante a festa, todos sorriam para a câmera.
Exceto Eileen.
Ela aparecia atrás da janela do segundo andar, com as mãos pressionadas contra o vidro.
Desesperada.
Como se estivesse implorando para alguém deixá-la entrar em sua própria vida.
Nota do chat 8