O Ídolo de Madeira

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Naquela noite, o professor Emílio Bödegard estava por estudar as novas descobertas que a equipe do Dr. Gregor Smitherson haviam feito. Bödegard era curador e dono de um museu de antiguidades na Europa e estava por financiar uma expedição na floresta amazônica, a fim de descobrir novos achados para colocar em seu museu e, além disso, sanar sua sede por algo novo que viesse de fora. Emílio era estudioso assíduo da história mundial e já havia lido vários livros sobre sociedades antigas, como a Roma, China e Jerusalém e, agora, se interessava pela América Latina. Leu muito sobre a floresta amazônica, as tribos locais que outrora viveram pela região e os sítios arqueológicos que tinham sido descobertos recentemente. Emílio Bödegard então, tomado por sua paixão fervorosa e pensamentos em inaugurar uma nova exposição em seu museu, financiou uma expedição rumo a amazônia com a liderança de Gregor Smitherson, um já conhecido arqueólogo que tinha feito muitas voltas ao redor do mundo, sempre descobrindo novos sítios arqueológicos com achados interessantíssimos ao estudo da história e das sociedades antigas. Smitherson havia feito várias descobertas enquanto liderava a expedição pela Amazônia e enviou várias cartas ao professor Bödegard falando um pouco sobre os achados que ele e a equipe tinham feito e mandou alguns exemplares de objetos que encontraram. Algumas coisas eram simples como pontas de lança, partes de jarros de barro e colares feitos com ossos, tudo era bem normal para os padrões científicos, com cartas de descrições que diziam o básico sobre cada coisa. Não havia nada de tão surreal até um breve momento... Enquanto estava estudando, Emílio escutou uma batida na porta de sua casa. "Quem será?..." - pensou ele. Bödegard saiu de seu escritório e seguiu ao corredor, descendo as escadas em seguida. Chegou ao andar de baixo e dirigiu-se até a porta, onde a abriu. Lá estava uma figura vestindo um uniforme cinza e um chapéu também acinzentado. Segurava uma pequena caixa de madeira nas mãos. Era o entregador.

  • "Encomenda para o Sr. Bödegard" - falou o homem.
  • "Opa! Sou eu mesmo" - respondeu o professor, recebendo a caixa.
  • "Obrigado, amigo!" - disse Emílio ao entregador.
  • "Disponha, chefe!" - respondeu-lhe o homem cordialmente. Bödegard então fechou a porta e, curioso, subiu as escadas e se dirigiu ao seu escritório, entrando e pondo a caixa em cima de sua mesa. Junto a ela vinha uma carta. Emílio pegou o envelope e abriu: "Caro professor Bödegard, aqui está mais uma de minhas descobertas aqui da selva amazônica. Este é um achado que diferencia-se dos outros. Segundo alguns nativos dessa região, essa é a representação de uma espécie de entidade de um povo chamado Yámakalíüa, ou "povo da lua". Eles aparentemente viveram na região da floresta que pertence ao Peru e eram conhecidos por terem hábitos noturnos e devoção a somente uma só entendida, diferente de outros povos, que eram politeístas. Enfim, espero que seja do feitio de vossa pessoa.

Ass.: Gregor Smitherson"

Emílio, ao terminar de ler a carta, ficou com a curiosidade mais aflorada. "Povo da lua?..." - disse ele em voz alta. Nunca havia estudado sobre este povo antes. Bödegard então abriu a caixa de madeira e lá dentro viu algo que deixou-o impressionado. Era ídolo de cerca de 50 cm de altura. Possuía asas semelhantes as de uma ave, corpo de gente e uma cabeça que parecia com a de uma onça. Em uma mão segurava uma lança e na outra um círculo que Emílio julgou ser a lua. Era totalmente esculpido em madeira e pintado a mão. Apesar dos aparentes anos que se passaram, o objeto parecia intacto e com a pintura sem danos, como se fosse novo em folha. O professor pegou o exemplar na mão e fitou-o por alguns minutos. "Isto é incrível!" - falou ele em voz alta. Bödegard colocou então o objeto em cima de sua mesa e apresou-se para pegar papel e caneta para escrever uma carta: "Dr. Gregor, muito obrigado pelo seu trabalho formidável que esta por realizar. Creio que este será um achado que certamente despertará o interesse do público. Aguardo por mais descobertas, agora, irei estudar mais um pouco sobre esta nova relíquia.

Ass.: Emílio Bödegard"

Ao terminar de escrever a carta, o professor preparou um envelope e pôs o escrito dentro dele. "Amanhã eu envio..." - disse ele, guardando a carta dentro da gaveta de sua escrivaninha. Depois, levantou-se da cadeira onde estava sentado e foi até a sua estande de livros, onde procurou algum livro sobre povos originários e suas sociedades e religiões. Passou muito tempo revirando livros, procurando algo inédito e que talvez tivesse algo falando sobre os Yámakalíüa, mas não achava um que ainda não tinha lido. A luz da lua entrava pela janela de seu escritório, iluminando tudo. Bödegard não encontrou nada e logo desapontou-se. "Mas será possível?!" - falou ele. O homem então virou-se e se dirigiu à escrivaninha para guardar o ídolo dentro da caixa. "Amanhã vejo se há algum livro na biblioteca da cidade sobre..." - disse o professor. Emílio pegou a estatueta de madeira e fez um gesto com se fosse guardá-la, entretanto, parou... A luz da lua continuava iluminando todo o local, mas, principalmente, parecia destacar mais o ídolo. O objeto brilhava e Bödegard pareceu hipnotizado com a luz que emanava dele e aproximou-o mais um pouco do seu rosto. O professor encarou por longos minutos o ídolo de madeira e sem saber o porquê, sentiu uma tremenda vontade de sair de casa. O homem, ainda com a estatueta na mão, saiu então de seu escritório, desceu as escadas, abriu a porta e saiu madrugada afora... No dia seguinte, Emílio Bödegard não foi encontrado. Algum tempo se passou e Smitherson, sem receber novas notícias do professor, teve que encerrar a expedição. Todos voltaram para suas moradas e depois de um certo passar de dias, descobriram que o professor havia desaparecido. Gregor até tentou entrar em contato com familiares e conhecidos do professor, porém, nem eles sabiam do paradeiro do homem. O mistério se fez por vários meses, até que, encontraram algo. Em uma região afastada, perto a um córrego, um corpo foi encontrado sem seu coração. Era o de Emílio... Estava caído de costas com peito totalmente aberto. As margens do córrego estava o coração do professor, pelo visto e o que era teorizado, tendo em visto que não havia faca ou objeto cortante, era que Emílio havia arrancado o coração com as próprias mãos. Em um tronco de árvore serrado, o ídolo de madeira foi encontrado. Aos pés dele, esculpido no tronco, com sangue, havia a seguinte frase: "Bênní atí Krabumton Etrôs"

Ninguém soube explicar o significado da tal frase, vários dicionários de línguas foram consultados e um dia, as tais palavras foram decifradas. Elas diziam: "Bem-vindo ao reino de Krabumton" Apesar de solucionadas, isso só trouxe mais mistério... Outras pesquisas foram feitas. Krabumton era a entidade a qual os Yámakalíüa eram devotos. Ele era considerado o rei da lua e a divindade da coragem para o povo. Dizia-se, que para chegar até o reino da lua e viver ao lado de Krabumton, era necessário um ato de coragem: Arrancar o próprio coração. Fazendo isso, ao morrer, aquele que fizesse isso iria para o reino da lua, viver ao lado Krabumton. O mistério mais ia virando uma cama de gato: "Morte estranha; Entidade ancestral... O que era isso?..." Absolutamente nenhuma conclusão não fantástica não poderia ser tirada. Tudo era sobrenatural de mais, e aquele caso só dava margem para mais pano pra manga. No fim, ficou pelo bizarro. As pessoas ainda estavam incrédulas, sem acreditar, mas tendo de aceitar o surreal. E Emílio Bödegard?... Seu corpo morto e, aparentemente, seu espírito, junto a Krabumton e os Yámakalíüa no tal reino da lua.