Contos da Casa dos Cinco

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_Consegue escutar? Uma sinfonia constante de insetos inquietantes ao adentrar a sombria floresta. Por essa estrada, muitos passaram, mas poucos podem dizer que chegaram inteiros do outro lado.

Então, meus amigos, o que esperar deste lugar? Temíveis feras à espreita, demônios cruéis com os quais teremos de negociar ou trolls querendo nossos corpos esfolar? Na floresta das árvores uivantes, dos musgos brilhantes e das águas tão turvas quanto sufocantes. Não precisa se aproximar para com o cheiro se espantar. Por acaso, há em todo lugar um morto podre que podemos encontrar? Pelos deuses, fazer o quê? Só nos resta continuar, em passos cautelosos, e, quem sabe, com sorte, histórias sobre isso iremos contar.

Cuidado! Quem vem lá? Ainda bem que é só um lagarto, mas acho que quase sofri um infarto.

Por favor, calem o anão, porque isso não foi engraçado. Então, de repente, o pequeno animal é arrastado para as águas turvas, quebrando o silêncio.

Emergindo de sua tumba lamacenta, surgiu uma criatura. Eu sabia! Era um morto. Em seus olhos vermelhos podia-se ver uma sede ardente por entranhas quentes. Terrível criatura de alta estatura, tão fina quanto um tronco ressequido. Não a subestimem, pois é um carniceiro maldito, por aqui extremamente temido. Enquanto a nós? Extremamente azarados. Lutar contra ele é impensável, bravejei. Porém, sem deixar a sensatez poupá-lo, aquele anão, com seu machado, aquele monstro queria fatiar. Então avançou destemido e, por sua teimosia, foi punido. Não podem dizer que foi por falta de aviso. Homem escamoso, felina guerreira e anão desgraçado. Todos sem juízo. Para cima de mais um bicho? Assim vamos acabar sucumbindo. Do ataque do machado, esquivou-se e, na nuca desse anão, deu um tapão, que fez com que ele batesse a cabeça contra as pedras do chão.

Antes de matá-lo, porém, o carniceiro foi golpeado pela espada da felina. Mortos, contudo, não sangram. Logo, descobriu que sua espada cortou carne, mas de nada adiantou.

Foi então que agiu, com sua magia, fez a ferida queimar. Mandou bem, mago escamoso, mas cuidado com o rosto! Tarde demais. Ele foi acertado. Mais ansiosa do que nunca pela carne de todos nós, agora estava. Então chegou a hora da minha ação. Ajustei as cordas do meu violão e joguei contra a enfurecida criatura uma terrível canção, que paralisou seus membros em uma fração. Seus olhos, aos poucos, abriram-se para deparar com o monstro preso no lugar. O anão de curto pavio pensou, logo agiu e, balançando seu machado, a cabeça da coisa partiu.

Ficamos felizes. Comemoramos. No entanto, logo lembramos... Carniceiros caçam em bando. Então, em resumo, nós corremos, lutamos, apanhamos e estivemos por um triz de morrer, sem qualquer reconhecimento. Mas ganhamos e, por isso, aqui estamos, na Casa dos Cinco, taberna de qualidade. Me desce mais uma cerveja, chefe Thalid, porque das cabeças dos monstros tiramos grana para beber à vontade._