La Sombra Parte 4

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Já tinha ouvido algo semelhante quando era criança visitava minha avó num lar de idosos, Um lugar que me marcou ver os residentes perdidos confusos e com a mente fragmentada, vagando pelo terreno como internos perdidos murmurando repetidamente sobre o passado repetindo frases e palavras sem sentido, Foi isso que me lembrou um fluxo contínuo de palavras indecifráveis proferidas por alguem em meio a confusão, Virei-me para ver como Maria estava observando seu peito subir e descer a cada respiração, Certo de que ela não havia sido incomodada sai da cama ao me levantar percebi imediatamente que o murmúrio estava mais alto, Embora estivesse escuro eu havia deixado uma luz acesa no corredor como sempre faço, que entrava por baixo da porta e me permitia ver o quarto de forma tênue mas visível, Olhei em volta para ver se algo estava fora do lugar mas o quarto parecia como esperado, Dei um Passo a Frente e ao fazê-lo o ruído aumentou de volume novamente, Embora não conseguisse decifrar as palavras agora conseguia perceber a essência da voz, Era antiga marcada pela idade as palavras eram repetidas em um ritmo frenético e pareciam ansiosas embora abafadas por alguma barreira desconhecida, Estava com Medo mas encontrei forças na presença de Maria, dei outro passo lento e silencioso para frente com os pés descalços e amortecidos pelo chão frio, Novamente a Voz ficou mais alta eu não tinha certeza se estava imaginando coisas, mas juraria que ela se tornou mais agitada á medida que eu me aproximava, o passo seguinte me fez estremecer até o âmago pois enquanto aquela voz murmurante e ininteligível se tornava mais alta, em meio ao som rouco é confuso ouvi uma palavra que me fez estremecer até os ossos uma palavra para ser temida, Meu Deus aquilo sabia o meu nome! para mim era como se saber quem eu era de alguma forma conferisse aquela coisa um alcance limitado Que talvez nunca me livrasse daquilo que poderia me matar a qualquer momento, Algo de repente me chamou a atenção um movimento acompanhando pelo farfalhar de um Tecido, Agora eu sabia de onde vinha aquela voz rítmica e agitada Agora eu sabia por que ela era abafada e difícil de decifrar Eu conseguia vê-la a poucos metros de mim, Em pé atrás das cortinas fechadas A Lua estava em seu auge lá fora, mal conseguia delinear de forma tênue a coisa que observava entre minha janela e as cortinas, Minha ansiedade é terror aumentaram mas uma compulsão incomum um senso de propósito inoportuno tomou conta de mim, Dei mais um passo hesitante em direção as cortinas Elas balançaram levemente, como se levadas por uma brisa mas eu não conseguia dizer se o movimento fora causado por mim ou pela mão daquela coisa escondida agora eu estava perto o suficiente para ouvir sua respiração ofegante, Levantando lentamente a mão direita toquei acidentalmente o Tecido da cortina, causando uma leve ondulação que a separou momentaneamente Soltei um Suspiro de Espanto pois através daquela fresta por um instante eu o vi, Como posso descrever o que estava ali mesmo agora fecho os olhos é gostaria de poder apagar aquilo da minha memória, Tremia e se agitava enquanto continuava a murmurar repetindo alguma frase, soando como uma mistura bizarra de vários idiomas Sua pele emaciada, esticava-se sobre uma estrutura antinatural de ossos frágeis e proeminentes vértebras costelas e outras estruturas internas quase saltavam através de sua casca fina como papel, Pálida com a aparência quase machucada por mais desnutrido que parecesse o estômago estava distendido em alguns pontos e sua aparência ossuda, não diminuía em nada a sensação de que era capaz de se impor com força bruta é perversa sobre qualquer uma de suas vítimas, A náusea tomou conta do meu estômago um cheiro pútrido e repugnante impregnou o ar, enquanto sussurrava na escuridão através do que parecia ser dentes quebrados e fraturados, eu não pude deixar de sentir pena daquele miserável Tremendo na noite como se fosse vítima de uma longa inanição, recobrei os sentidos é percebi que aquela coisa não era para ser alvo de pena mas sim de medo, não tremia de frio mas sim de excitação como um viciado em drogas antecipando a próxima dose, Parado ali contemplando que acabara de me ver por entre as cortinas, preparei-me mais uma vez para remover sua proteção envolta em véus é revelá-la pelo que era, um intruso da pior espécie um pervertido que se deliciava com a própria satisfação, Ao levantar a mão mais uma vez para fechar a cortina algo me chamou a atenção Seus sussuros roucos escaparam daquela boca quebrada e falou as três palavras mais aterrorizantes que já ouvi "Olhe Para Trás", Uma baforada fria deslizou pela minha nuca Por um instante fiquei paralisado, Mas o amor é uma motivação poderosa se eu estivesse sozinho o medo teria me dominado afastando qualquer possibilidade de resistência da minha parte, mas com Maria dormindo profundamente no mesmo quarto que aquela coisa, proteger alguém que eu amava daquele desgraçado era meu único pensamento, Virei-me lentamente ao fazê-lo pude ouvi-lo ofegar engasgar gemer em busca de ar, Senti o Cheiro de Sua respiração o fedor da morte pairava no ar, Então ouvi outra voz não era aquele horror na escuridão mas sim Maria ela soltou um grito quê me assustou é me perturbou profundamente um grito quê me assombrará pelo resto da vida, Virei rapidamente é a vi mas não estava atrás de mim estava na cama! A criatura se contorcia é grunhia ofegando de prazer, Sua espinha dorsal óssea curvada pela angústia de incontáveis anos, Projetando-se através de um pedaço de pano esfarrapado é rasgado que prendia frouxamente sobre seu torso numa tentativa de parecer quase humana, Lancei-me para frente agarrando golpeando é puxando aquela coisa com toda a minha força, a pele solta escorregando pelas minhas mãos Apertou é Forçou o rosto de Maria, Contra o Travesseiro com prazer enquanto seus outros membros se arqueavam e se contorciam rasgando sua camisola, passando seus dedos longos é famintos sobre seu corpo com uma carícia sórdida, os gritos de Maria foram abafados pelo travesseiro comecei a temer que ela estivesse sendo sufocada, Gritei berrei implorei aquela coisa quê a deixasse em paz para que me levasse mas isso só serviu para incitar a criatura a níveis ainda maiores de crueldade Ele estava-a machucando cortando-a minha linda Maria, De repente parou de atacá-la porém ainda mantinha uma de suas mãos magras mas pesadas na nuca de Maria, pressionando seu rosto ainda mais contra o travesseiro Eu segurava seu pescoço pútrido tentando com todas as forças controlar a besta, mas meus esforços foram em vão sua forma esquelética escondia sua força descomunal Observei enquanto a criatura começou a passar seus dedos cadavéricos pelos cabelos de Maria, Agora eu conseguia ouvir o estalar e o ranger dos ossos o estourar da cartilagem o rompimento dos tendões, Aquilo não vinha de Maria eu estava agora nas costas da criatura com o braço em volta de sua garganta é o queixo roçando na pele áspera de seu ombro, Ela contorcia a cabeça de uma maneira totalmente desumana seu pescoço estalava e gemia sob o esforço a cada movimento atrítico, Como se estivesse preso a mil anos de rigidez cadavérica, Ele continuou passando seus dedos magros pelos cabelos de Maria com indiferença enquanto me olhava, Com um movimento brusco trêmulo e violento arrancou um punhado de cabelo da cabeça de Maria deixando uma ferida aberta Depois sumiu, Acendi o Abajur mas nenhuma palavra de carinho ou compaixão conseguiu consolá-la, a cama estava encharcada de sangue quê escorria dos inúmeros arranhões em suas costas, e do grande corte onde antes havia mecha inteira de seu cabelo, Eu a Abracei disse a ela quê tudo ficaria bem então ela olhou pra mim, Ao ver seus olhos marejados soube imediatamente o que ela pensava ela achava quê eu a havia atacado, que eu havia feito aquelas coisas terríveis com ela De todas as experiências que vivi, a expressão de traição nojo é desprezo no rosto de Maria Será sempre a mais dolorosa, Depois de se recompor ela juntou suas coisas é foi embora, Tentei explicar contar tudo o que tinha acontecido mas ela não quis ouvir, Afinal quem acreditaria numa história dessas? Ela disse quê não chamaria a polícia mas que se eu tentasse entrar em contato com ela, Ela o Faria Para ela eu era o agressor não aquela coisa Ao sair ela se virou para me olhar uma última vez e então caiu em prantos, Agora sei que a perdi para sempre A mulher quê amo mais do que tudo neste mundo, pensa quê sou um ser humano repugnante se ao menos ela pudesse entender que o que fez isso não era humano é se algum dia foi há muito abandonou essa natureza, eram 5 da manhã quando Maria me deixou agora são 9 Estou sentado aqui a fria luz do dia, Escrevendo isto para que haja algum registro do que aconteceu, Para que as pessoas saibam para que Maria saiba tudo o que aconteceu foi culpa daquela criatura desprezível da minha infância!, Agora preciso deixar o sentimentalismo de lado Eu poderia facilmente ficar aqui lamentando a perda de Maria ou poderia me deixar dominar pelo medo, Não fazer nada mas isso simplesmente não vai funcionar, Preciso me despedir agora pois há muito a ser feito antes que escureça meus planos estão feitos e com sorte darão certo, Gostaria de poder dizer que conversamos novamente mas acho improvável Espero que compreendam o que precisa ser feito Porque esta noite eu vou arrasar,