Tem um cadáver na minha sala

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…Tem um cadáver na minha sala
Andei até ela com os pés descalços
Feição fria, olhos nebulosos, lábios entreabertos
Corpo esbelto, pele lisa, cabelos escorridos

Passei meus dedos
Fingindo procurar o pulso
Arrepiam meus pelos do braço
Estremecem as vértebras da espinha

De memórias adornadas
Com seu punho firme
Apoiando seus peitos fartos 
Mostrando suas veias quentes, rasgando-me com as palavras

O cadáver na minha sala mancha de vermelho
Eu me sujo, com as mãos no pescoço
Sentindo passar entre os dedos

Suas últimas palavras foram borbulhosas
Sua última visão foi eu
Encontrando-a sobre meu tapete…