Tristeza

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Às vezes eu fico triste, mas tristeza todo mundo sente. É um sentimento aparente ou latente, coisa de nós, pequena gente. Fico triste com pessoas, fico triste com eventos, fico triste comigo mesmo... Dá aquela coisa no peito, um misto de amargura e raiva, mas principalmente, de desilusão. A lágrima pode ou não cair do olho, o coração fica adoentado e a gente se sente preso em um emaranhado. Quantas vezes já não nos entristecemos? Quando o nosso time perde, quando alguém discute ou quando sentimo-nos injustiçados pelo mundo. A tristeza é certeira como lança, é agourenta como assombração. Todos a têm como horla e é a filosofia de todo aqueles que presenciaram as misérias da vida sem sabor, sem sentido, só a dor. A tristeza não deixa esperança, se deixa-se, pelo menos seria algo, porém, nem isso ela faz... Ela nos entrega só um vazio e nos deixa a mercê dos nossos pensamentos mais nefastos... Ela é uma grande moenda, que nos espreme e derrama tudo que há de bom no chão sem balde e faz de nós um mero bagaço que cabe a terra decidir se vai ter dó ou não. Dá vontade de sumir! De andar para longe até as pernas se desprenderem do corpo e fugirem... De marchar e se isolar como monge a fim de fugir da boca do dragão. Já não tenho mais tanto músculo e pele para aguentar... Só me restam os ossos, que a velha agonia está transformando em pó para a tristeza comer e assim se saciar e ir para outra mente que sente-se infeliz. Somos todos mortos vivos! Que temos insônia, devaneios e uma má condição... Aqueles que perderam o fio da meada e agora vivem como borrego desgarrado. Tudo que resta é marchar mais pra dentro nessa imensa escuridão na busca de alguma luz... Tudo que resta é tentar encontrar de volta a linha de ouro do labirinto... Tudo que resta é tentar seguir com a tristeza até chegar numa escada ou numa cova bem preparada... Tudo que resta... Tudo que resta... Tudo que resta é, simplesmente, o "talvez" e o "nada".