Penoso Estorvo

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Comprou um papagaio em uma feirinha e levou-o para casa. Achava que seria interessante e de bom tom ter um daqueles belos animais que falavam em sua residência. A princípio, parecia uma boa ideia... Porém, não demorou muito para o novo inquilino começar a causar problemas na vida daquele simples homem. A começar que, o papagaio não calava a boca, toda hora abria o bico para falar alguma asneira ou para encher o saco. O estorvo era tanto que a vida do homem virou de cabeça para baixo do dia para a noite. Perdeu o casamento; Arrumou brigas com conhecidos e se tornou odiado na vizinhança inteira, tudo porque o bendito do papagaio não queria ficar quieto. Era como se ele fosse um pai de uma criança mimada. O homem, por várias vezes tentou se livrar da ave, porém, ela sempre retornava, não importava o que ele fizesse. Em um determinado dia, teve uma ideia. Pegou a gaiola com o animal, entrou numa canoinha e começou a remar pelo mar. Chegou em uma ilha remota e largou a gaiola com o bicho dentro da floresta do local. Depois, pegou a canoa e voltou. Algum tempo se passou e a paz voltou a se instaurar na vida do homem e das pessoas ao seu redor. Entretanto, nada podia ser duradouro... Certa manhã, o homem acordou com um grande bater de asas, era como se milhares de pássaros voassem no céu, em direção ao seu bairro... E não que era mesmo! Lá vinha o louro, com mais um exército de papagaios que fez amizade nas matas no tempo em que passou na ilha remota onde havia sido largado. Todos os animais então pousaram em cima da casa do homem e começam a fazer uma imensa cacofonia, cada qual falando uma bobagem diferente repetidas vezes. O homem então sentou-se em uma cadeira e, já sem as forças, ficou ouvindo os papagaios falando e as pessoas furiosas do lado de fora: "Eu deveria era ter gasto meu dinheiro numa garrafa de cachaça!" - pensou ele.