Não Foi Um Feliz Natal - SENHORA MORTE

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​"Eu sei que ainda falta muito para o Natal... mas o verdadeiro terror não olha o calendário. Considere isto um aviso de alerta antecipado."

  **Não Foi Um Feliz Natal** 

Sempre achei estranho que minha família nunca comemorasse o Natal. Quando criança, eu via as casas enfeitadas, as árvores iluminadas e as crianças correndo pela rua com presentes nas mãos. Enquanto todos pareciam felizes, nossa casa permanecia escura, silenciosa.

Sempre que perguntava o motivo, minha mãe respondia da mesma forma:

— Não comemoramos o Natal porque é uma festa pagã, e ponto final.

Hoje, adulta, percebo que nem religião nós tínhamos. Aquela resposta nunca fez sentido.

No dia 23 de dezembro, uma colega de trabalho me perguntou onde eu passaria o Natal. Respondi que minha família nunca comemorava a data. Ela me olhou surpresa.

— Então talvez esteja na hora de criar a sua própria tradição.

Passei o resto do dia pensando nisso.

Quando cheguei em casa, contei para minha mãe que queria fazer uma ceia simples naquele ano. O garfo escapou da mão dela e bateu contra o prato. Seu rosto perdeu a cor.

— Não haverá festa pagã nesta casa.

Mais tarde, ela me chamou para conversar.

Disse que, quando era criança, também esperava ansiosa pelo Natal. Mas, em um ano de muita dificuldade, acordou sem ganhar presente algum. Sentiu tanta raiva que prometeu ser a pior criança do mundo.

Minha avó tentou acalmá-la.

— Se continuar assim, o Krampus vem buscar você.

Naquela mesma noite, perto da meia-noite, ela ouviu passos pesados no andar de baixo. Desceu as escadas e viu a criatura.

Tinha a pele verde-oliva, dentes podres projetados para fora da boca, garras enormes arrastando pelo chão e olhos negros como buracos sem fundo. Nas costas, carregava um saco de estopa que pingava sangue.

Ela correu de volta para o quarto.

Então ouviu os cascos subindo a escada.

Mas ele não entrou no quarto dela.

Entrou no quarto dos pais.

Na manhã seguinte, meus avós haviam desaparecido.

No lugar deles, havia uma frase escrita em vermelho na parede.

"Feliz Natal, Emily. Sou Krampus. Não devoro crianças, prefiro adultos. Mas voltarei quando você crescer. Afinal, todo ano tem Natal."

Minha mãe terminou a história olhando fixamente para mim.

Disse que nunca mais viu os pais.

Eu ri.

Falei que aquilo era apenas uma lenda criada para assustar crianças.

Ela não discutiu.

Apenas respondeu:

— Então comemore. Mas lembre-se: eu te avisei.

Agora é quase meia-noite.

Estou trancada no banheiro.

O cheiro de carne podre invade a casa.

Ouço cascos pesados caminhando pelo corredor.

Ele está chamando o nome da minha mãe.

Gritei que ela não está aqui.

Por um instante, tudo ficou em silêncio.

Então uma risada grave ecoou do outro lado da porta.

A maçaneta começou a girar lentamente.

E aquela voz, profunda e apodrecida, sussurrou:

— Feliz Natal, Emily... você demorou. Vim buscar meu presente. Afinal... todo ano tem Natal.