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🌐 ARQUIVO DE RELATOS // Casos Não Resolvidos & Deep Web
Tópico: Aceitei um emprego noturno pela internet para escapar do despejo.
Usuário: Arthur_Desempregado
Data de Envio: 24 de Julho de 2026, às 04:15 BRT
Status do Tópico: 🔒 Arquivado [Tópico sob Investigação Policial]
NOTA DO MODERADOR: A conta deste usuário foi sinalizada e o tópico trancado após autoridades solicitarem o congelamento dos dados de acesso. O autor encontra-se desaparecido.
Eu precisava arrumar um emprego o mais rápido possível. O aviso de despejo pregado na porta do meu quarto funcionava como um cronômetro prestes a zerar; eu só tinha dois dias antes de ser jogado debaixo da ponte. As únicas coisas que restavam no meu quarto eram um computador velho e um colchão encardido, já que eu havia penhorado absolutamente tudo o que tinha valor. O computador e o celular seriam as últimas coisas a ir embora.
Enquanto navegava pela internet em busca de qualquer luz, encontrei um site suspeito com uma oferta boa demais para ser verdade: uma vaga de emprego noturno que pagava um valor absurdo assim que o turno fosse encerrado. Estava na cara que era um golpe, mas eu não tinha mais nada a perder. Exceto a minha vida, é claro — porque, na situação em que eu me encontrava, até a minha alma parecia já ter sido penhorada. Então, por que não me arriscar?
Cliquei na caixa de inscrição para a vaga. Assim que digitei meu nome completo, a tela do computador começou a piscar de um jeito estranho. Naquele momento, percebi que havia baixado um vírus de graça. Comecei a xingar, mas, antes que eu pudesse puxar o cabo da tomada, uma mensagem de aprovação apareceu na tela:
“Parabéns, a vaga é sua. Você começa hoje à noite no seu primeiro turno. Assim que o trabalho terminar, você recebe a quantia de R$ [XXXXXXX].”
Tentei clicar na mensagem para ver o endereço e o telefone do local, mas, antes de qualquer outra informação, o computador simplesmente morreu. Desliguei da tomada, religuei, tentei reiniciar o sistema, procurei no histórico do navegador... mas não havia absolutamente nada. Era como se aquele site nunca tivesse existido.
Passei as mãos pelos cabelos, mandando tudo para os ares. Independentemente de qualquer coisa, eu continuava desempregado e prestes a ser despejado. Frustrado, resolvi me deitar e dormir. O dia seguinte traria novos problemas.
Por volta das 9 horas da noite, comecei a sentir um sono inexplicável. De repente, desabei na cama e apaguei por completo.
Me vi sonhando. Eu estava na frente de uma grande empresa cujos portões eram enormes, feitos de um aço negro e pesado. Olhei ao redor e não havia nada; era um cenário estéril. Estava na cara que era um sonho — ou melhor, o pesadelo que logo se tornaria real. Já que eu estava preso ali, decidi continuar. Os portões se abriram sozinhos. Entrei e encontrei uma recepcionista sentada na bancada. Ela se levantou, me cumprimentou chamando pelo meu nome e disse: "Aqui está, esse é o seu uniforme."
O uniforme era inteiramente branco, com o número 14 estampado em vermelho vivo na altura do peito. Ela também me entregue uma máscara branca idêntica à que ela usava — eu não conseguia ver seu rosto, apenas seus olhos fitando-me através de dois buracos toscos. Em seguida, deu as instruções:
— Você vai pegar o elevador e seguir para o quinto andar. Nem antes, nem no meio, nem depois: desça exatamente no quinto andar. Lá, você encontrará um corredor com várias portas. Vá direto para a porta número 7 de cabeça para baixo. Não entre em nenhuma outra sala. Ao final do expediente, um alarme vai tocar.
Ela me entregou uma pequena máquina de etiquetas e concluiu: — Você colocará etiquetas de preço e validade em todas as peças que passarem pela esteira. Quando o trabalho acabar, você recebe o valor combinado. Saiba que, antes do fim do turno, é impossível sair daqui, então nem tente.
Achei o sonho fascinante, apesar da bizarrice. Pelo menos, naquilo tudo, eu teria um trabalho digno.
Entrei no elevador e comecei a me trocar ali mesmo. Coloquei a máscara e me encarei no espelho; a sensação era sufocante. Tudo naquele lugar era de um branco tão clínico que doía nos olhos.
Quando as portas se abriram no quinto andar, vi exatamente o que ela descrevera: dezenas de portas alinhadas como uma centopeia gigante. A numeração não seguia lógica alguma; depois do 3 vinha o 66, depois o 4 vinha o 17, e assim por diante. Os materiais também variavam entre madeira podre, metal pesado, couro envelhecido e vidro fumê. O silêncio no corredor era pesado, cortante, contrastando com o zumbido agudo das lâmpadas.
Finalmente achei a minha porta: o número 7 invertido. Era a única com aparência normal, exceto pela posição errada do algarismo.
Entrei. A sala estava completamente escura. Perguntei se havia alguém ali e tateei a parede à procura de um interruptor, enquanto ouvia o som mecânico de uma esteira industrial começando a girar. Um cheiro fétido invadiu o ar — uma mistura insuportável de metal limpo com carne em decomposição.
Achei o interruptor e acendi a luz, virando-me para a esteira. O que vi me paralisou de curiosidade mórbida, transformando-se rapidamente em puro horror.
À primeira vista, pareciam partes de manequins desmontados. Mas, ao me aproximar, meu sangue congelou. Não eram plásticos. Eu estava em um pesadelo grotesco: as peças que eu devia etiquetar eram pedaços humanos. Braços, mãos, pernas e órgãos recém-extraídos, incluindo corações que pareciam ainda pulsar.
Comecei a tremer violentamente. O chão estava inundado de sangue fresco que escorria da esteira, encharcando os meus sapatos de vermelho. Gritei em pânico, perguntando que loucura era aquela, procurando desesperadamente por uma saída naquele cubo branco.
Uma voz grave ecoou pelo alto-falante: — Atenção, Operador 14. Comece a fazer o seu trabalho.
Gritei que queria ir embora, mas a voz fria retrucou: — Você só poderá sair quando terminar o seu turno. Esse é o acordo. Horas trabalhadas, horas pagas. Uma vez voluntariado para a vaga, cumpre-se até o fim.
Me belisquei e dei tapas no próprio rosto, tentando acordar daquele pesadelo à força, mas era inútil. Sem escolha, comecei a cumprir a ordem. O enjoo rasgava meu estômago e a ânsia de vômito era constante. O cheiro de morte era espesso, e os olhos das cabeças cortadas que passavam na esteira pareciam me julgar em silêncio.
O tempo perdeu o sentido. Pareceu durar uma eternidade até que o som estridente de um alarme soou, anunciando o fim do turno.
Como por passe de mágica, a porta reapareceu na parede branca. Corri desesperadamente para fora, tropeçando no próprio sangue, em direção ao elevador. No corredor, vi todas as outras portas se abrindo e várias pessoas mascaradas saindo de dentro delas, vestindo uniformes de cores diferentes. Imaginei que tivessem passado pelo mesmo inferno ou algo ainda pior, mas eu não tinha tempo para perguntar. Só queria acordar.
Apertei o botão do térreo repetidas vezes. Quando as portas se abriram, saltei do elevador sem sequer olhar para trás. A recepcionista ainda estava de pé na bancada, gritando algo sobre o meu pagamento, mas eu disparei pelas grandes portas de ferro de volta para a rua.
Não havia nada lá fora. A rua estava vazia, fria. Sabendo que não conseguiria escapar daquele sonho de jeito nenhum, vi o farol de um caminhão solitário se aproximando na estrada deserta.
Qual é o jeito mais fácil de acordar de um pesadelo? Pensei. Morrendo.
Me joguei na frente do caminhão em movimento. Senti minhas costelas estalarem e todos os ossos do meu corpo se despedaçarem sob o impacto.
Foi então que dei um salto e acordei.
Caí no chão duro do meu apartamento com a respiração sufocada, cuspindo sangue e sentindo uma dor insuportável nas costelas. O impacto da queda no chão justificava parte da dor, mas a intensidade era real demais para um simples tombo da cama.
Tentando afastar a loucura daquilo, olhei para a janela: já era de dia. Eram exatamente 9 horas da manhã. Droga, eu tinha dormido demais e perderia o dia de busca por emprego. Aquele pesadelo maldito tinha me destruído.
Foi quando meu celular vibrou com o som de uma notificação bancária.
Peguei o aparelho e caí sentado no chão de novo, sem fôlego. O valor exato prometido pelo anúncio da vaga noturna acabara de ser depositado na minha conta. Junto com o pix, havia uma mensagem de texto:
"Obrigado pelos serviços, senhor Arthur. Esperamos vê-lo em breve. Ah, mais uma coisa: não comente com ninguém sobre a sua experiência. No fim, ninguém vai acreditar e isso só vai lhe trazer problemas."
Já se passaram dois dias desde que tudo isso aconteceu. Consegui pagar minhas dívidas mais urgentes e mudei de apartamento. Mas faz exatos dois dias que eu não consigo fechar os olhos para dormir, apavorado com a ideia de retornar àquele inferno.
Ontem à noite, assistindo ao jornal na televisão, vi uma notícia revoltante e aterrorizante: várias pessoas dadas como desaparecidas na cidade haviam sido encontradas — ou melhor, pedaços delas foram achados espalhados por diferentes bairros.
Eu não sei se o que vivi foi real ou fruto de uma mente fodida pela fome e pelo desespero, mas sei de uma coisa: se eu dormir, vou voltar para lá. Se você encontrar uma proposta de emprego irrecusável em um site misterioso, cuidado ao colocar seu nome e aceitar. Esta é a minha última mensagem. Como a mensagem dizia, eu não deveria contar isso a ninguém para evitar problemas... mas eu espero que, ao menos, isso impeça alguém de cair no mesmo golpe.
📂 DOCUMENTO ANEXO — RELATÓRIO DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL: Data do Registro: 26 de Julho de 2026
Status: Caso em Aberto / Sem Pista do Autor
DETALHES: Após este relato ser indexado e publicado em um fórum de discussões anônimas, denúncias anônimas alertaram a polícia sobre o conteúdo suspeito e perturbador postado pelo usuário "Arthur_Desempregado". Agentes diligenciaram até o endereço fornecido pelo provedor de internet, mas o apartamento estava vazio, sem sinais de ocupação recente e sem vestígios de sangue ou luta corporal.
Não há registro civil oficial em nenhum estado brasileiro para o nome "Arthur" com o perfil descrito, levando os investigadores a trabalharem com a hipótese de que se trate de um codinome utilizado por um psicopata ou operador de rede criminosa.
O detalhe mais macabro da investigação ocorreu na mesma semana: peritos forenses confirmaram que vários dos membros humanos encontrados embalados em sacos de lixo e caixas de descarga urbana traziam coladas etiquetas de preço e data de validade idênticas às usadas em açougues industriais.
A polícia científica ainda não confirmou publicamente se os retalhos humanos estavam sendo comercializados para consumo clandestino ou se faziam parte de rituais de um serial killer metódico, visto que as vítimas só puderam ser identificadas tardiamente através de exames complexos de DNA em banco de sangue. O paradeiro do autor do post permanece desconhecido.
Nota do chat 9,31