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Era para ser só mais uma noite comum, até o rádio começar a chiar.
Central: — Viatura doze. Há um chamado perto de vocês.
Reviro os olhos, mas confirmo.
— Ok, Central. Pode passar as informações.
— Cidade do Povo... número 140.
Fiquei tentando me localizar, afinal, estava há apenas um mês no Acre. Meu colega quebrou o silêncio.
— Cara, aquele bairro é um bairro quente. Pensa naquele lugar como uma favela do Rio de Janeiro... Deve ser algum viciado ou um assassinato.
Ao chegar naquele lugar, com casas padrão, fiquei olhando.
— Israel, sabe onde fica a casa?
— É logo ali na frente. Vira à esquerda... Deve ter algum número ou algo do tipo.
Assim, viramos e vimos algo estranho: uma casa diferente das outras, com um aspecto de abandonada.
— Vamos ver logo isso... Cara, que sensação estranha. — Israel comentou.
Fico calado, mas atento. Ao me aproximar, vejo a porta aberta. Israel logo se voltou para olhar em volta da casa, afinal, se desse merda, daria para ele fugir. Sem opção, fiquei em olhar lá dentro.
Logo que entrei, percebi que estava mais gelado do que do lado de fora, mas continuei. Era uma casa comum abandonada: cheiro de urina, lixo por todos os lados. A sala e a cozinha aparentavam estar normais. As coisas ficaram sérias nos quartos, ou melhor, no quarto. Afinal, atrapalhava para fugir e pedir reforços.
Comecei pela primeira porta. Havia umas gotas vermelhas antigas. Não quis fazer precipitações. Tinha um colchão lá que não estava em más condições. Cheguei mais próximo e escutei um estalo. Rapidamente coloquei a mão na pistola semiautomática e fiquei atento, querendo ouvir mais alguma coisa para logo intimidar.
Como não escutei nada, passei logo pelo rádio.
— Israel, como estão as coisas aí fora?
— Achei uma casa de cachorro que tem uma estrela vermelha de cabeça para baixo. Vou me aproximar.
— Ok, fique atento.
O primeiro quarto está limpo. Fui olhar o segundo. A porta estava um pouco aberta. Adentrei.
Logo vi muitas coisas. Havia desenhos e objetos estranhos nas paredes. No centro, um homem. Aproximei-me. Não havia mais pulso. Me afastei do corpo.
— Central, mandem alguém do IML. Homem aparentando ter 30 anos, cabelos pretos...
Fui interrompido pelos gritos e tiros de Israel.
— PRECISO DE REFORÇO... AAAAAAH!
— ISRAEL??
Senti como se tivesse alguma coisa levantando atrás de mim. Quando olhei, era o mesmo homem que eu acabara de dizer que estava morto.
Olhou para mim e disse:
— Chegou a sua vez.
...
— E foi isso que me lembro. Não lembro de mais nada.
— Os moradores não ouviram gritos. Só viram você saindo da casa sujo de sangue. Sabe que isso é sério, novato. Israel está morto e as câmeras corporais de vocês sumiram. Só tem você. Pode pegar de cinco a dez anos de prisão.
Fico calado, pois não importa o que eu diga. Vou ser preso e condenado como louco mesmo.
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É a primeira vez que escrevo alguma coisa é a primeira vez que uso um site assim