Já fazia algum tempo que a polícia estava pra segurar o cangote do Mata-Burro tal qual uma gata fêmea segura seu filhote.
Mata-Burro era conhecido por toda a região, seu nome mesmo ninguém sabia, apenas conheciam ele de alcunha e também de atos.
- "É um homem terrível!" - diziam as velhas senhoras da cidadezinha.
Mata-Burro era conhecido por ser vil como uma cascavel, até punha a língua para fora quando apreciava uma situação que para muitos seria aterradora...
Os meninos pequenos falavam que o homem até bebia sangue de gente, mas isto poderia ser só coisa de criança, porém, Mata-Burro não desmentia as falas e afirmava já ter comido o fígado de muita gente, o que dava-lhe um ar mais ameaçador ainda.
- "É um sadista!" - falou uma vez o leiteiro.
Mata-Burro também era conhecido por algo que tornou-se parte de sua vivência natural...
Matava gente.
Normalmente procurava sempre seguir um código de honra: "Mato apenas gente que não cumpre com a própria palavra!" - foi assim que um dia matou um pobre homem que lhe devia dinheiro da compra de um bucho de cabra:
"Ele queria comer, então arranquei-lhe o bucho para que não sentisse mais fome!" - falou Mata-Burro quando questionado pelo delegado.
Outra vez, arrancou a língua de um dos fofoqueiros de seu bairro:
- "Homem é homem, fala cara à cara!" - disse Mata-Burro quando questionado outra vez pelo delegado sobre a morte do sujeito, que morreu por conta da perda de sangue.
As autoridades vinham bem flexíveis quando o assunto era o assassino:
- "Minha chefia... Quando que vamos dar um jeito de agarrar e prender esse meliante?..." - perguntou um dos oficiais.
- "Conhece o homem?... Perigo dele querer me matar..." - respondeu o delegado.
Apesar daquela vista grossa, o delegado ainda pensava em prender o homem, só que sua relutância o impedia de dizer quando...
Fato é: vigiavam dia à dia o homem, só esperando o medo deixar-lhes prende-lo.
O estopim foi quando Mata-Burro invadiu a casa de uma viúva da cidade...
Tentou assassina-la a sangue frio... O motivo?... Havia-lhe recusado uma dança em uma festa de forró que teve na cidade.
- "Mulher boa não recusa homem bom!" - falou ele para a mulher empunhando uma faca que guardava em uma bainha na cintura.
A mulher gritou...
Pedia por ajuda...
O homem a perseguia, colocando a língua para fora como uma cascavel pronta para dar o bote.
Seus olhos eram de cachorro de caça quando via preá correndo...
A mulher rodou pela mesa da cozinha, tentando não ser pega.
Mata-Burro também rodava, era como uma brincadeira de criança.
Antes do assassino invadir a casa, a mulher estava esquentando água para fazer o arroz...
Não deu outra...
Pegou pelo cabo a panela de água quente e jogou na cara do individuo.
Mata-Burro soltou um grito que parecia um porco do mato...
Ajoelhou-se no chão de dor...
A viúva conseguiu escapar e foi até a delegacia.
O delegado levantou-se de sua mesa e bateu com as duas mãos nela:
- "Basta!" - disse.
Reuniu então um grupo de policiais e foram até o bairro onde a viúva morava.
Mata-Burro andava pelas ruas...
A cara, o peito e o ombro queimados...
Ainda estava com dor.
Aproveitando o momento de vulnerabilidade, os oficiais da lei pegaram o homem e o levaram preso para a cadeia da delegacia.
Um lugar que outrora era apenas para bêbados que faziam escarcéu ou delinquentes mirins agora abrigava um matador atrás das grades.
O delegado logo informou a polícia estadual.
Telefonou:
- "Alô, estamos com um problema de bicho ruim aqui!" - falou o delegado.
- "É cobra?" - perguntou o telefonado.
- "É vil como tal! Mas ainda não é não..." - respondeu o delegado.
- "É onça?" - disse o telefonado.
- "É violento como tal! Mas ainda não é não..." - respondeu o delegado.
- "É gente?" - perguntou o telefonado.
- "E do mais pior tipo! Este mata homem e diz que faz por que tem código de honra..." - falou o delegado.
Mata-Burro ouvia atrás das grades...
A sua cara queimada:
- "Quando tu abrir essa cela vou torcer teu pescoço feito galinha, delegado..." - falou Mata-Burro.
O delegado saiu do telefone por um instante:
- "Tu vai pra prisão, Mata-Burro! E lá eles não tem dó de gente do teu pistunche não!" - disse o delegado.
O oficial voltou para o telefone:
- "Ele já causou problema demais aqui!" - falou.
- "Certo... Amanhã?... Que horas?... Certo... Entendido... Tudo bem!" - continuou o delegado, ouvindo tudo que o telefonado dizia.
- "Em qual prisão?... Complexo de Maurinho?... Certo, certo... Obrigado!" - dizia o delegado ao telefone.
A conversa finalizou por ali.
O delegado virou-se para Mata-Burro:
- "Vais para o xadrez!"
- "Tu ainda vai ver, delegado... Tu ainda vai ver..." - disse Mata-Burro.
Durante o tempo que passou na delegacia o assassino ficava de ameaçar, dizia que faria isso e aquilo, falava que a vida do delegado ia virar um inferno terrestre...
O homem da lei tentou manter a postura, mas, por dentro, estava com o mesmo medo que outrora deixara-o flexível aos atos do criminoso...
A noite passou e, às 7:45 do dia seguinte um carro da polícia estadual chegou para levar Mata-Burro embora.
Ao abrir a cela o homem tentou partir para cima do delegado, mas foi contido...
Ele fez uma careta...
Seu rosto queimado ficou em uma expressão de onça raivosa...
A língua foi posta para fora várias vezes, gesto que Mata-Burro sempre fazia, só que agora era com raiva.
O homem foi levado...
Agora, a cidade descansava dos crimes daquele assassino, só não o delegado, que ficou pensativo:
- "E se ele voltar..." - pensou.
Rato quando é insistente rói até tijolo. Mata-Burro poderia também roer tijolo... E voltar, mas por enquanto a cidade respirava aliviada e o clima estranhamente ficou até mais leve, como se houve-se tudo um expurgo de algum mal daquele local, e de fato, era mesmo.
Enquanto as pessoas tinham a ponta do punhal invisível tirada de seus pescoços, Mata-Burro chegava à prisão...
Complexo de Maurinho.
Colocaram-lhe um uniforme e jogaram-o para dentro de uma cela de chão gelado e temperatura quente.
Atrás da grades matutava...
Pensava em vingar-se...
Em fazer o mal a quem o prendera...
E nisto passou os primeiros dias quieto...
Não falava com ninguém.
Na prisão recebeu o apelido de "Zé Papoca" - isso por conta de não saberem o seu nome e por conta de seus ferimentos, resultados da água quente.
Não se misturava com os outros presos...
Ficava isolado.
Seja em sua cela com seus colegas, seja no banho de sol no pátio.
Seu passa-tempo era ficar segurando os camundongos que apareciam dentro da cela pelo rabo e arremessar o bicho no chão, fazendo-o correr de volta para o buraco de onde havia saído.
Uma vez, um detento tentou puxar papo:
- "Ei, o das papoca... Tá aqui por que?" - perguntou o homem.
Mata-Burro respondeu seco:
- "Eu matava gente..."
- "E qual que é teu nome?" - perguntou o detento.
- "Mata-Burro..." - respondeu, também seco.
Na cadeia os detentos tinham pouca coisa, uma destas coisas que não faltavam era livro.
As autoridades permitiam-os terem obras literárias, pois, segundo os oficiais:
- "Leitura vai fazer deles gente de verdade!"
Leitura tornou-se um costume para Mata-Burro, se antes ele não lia nada, agora lia muito.
Seus favoritos eram os menos pegados...
Pois, para ele, havia ali, provavelmente, conteúdo interessante.
E foi lendo...
Até que durante a leitura veio-lhe uma ideia!
Se os oficiais achavam que a leitura mudava alguém, então Mata-Burro pensou em fingir bom comportamento, além disso, decidiu conversar com os outros detentos perto dos guardas dizendo estar arrependido de seus crimes de forma desprenteciosa, afim de tentar enganar as pessoas.
Além disso decidiu mudar sua forma de falar, fingindo estar mais manso.
Como o crime de homicídio dura alguns anos e o bom comportamento retira apenas um certo tempo, então o jeito era agir como um exímio hypokrités.
E passou um tempo neste teatro...
Mata-Burro havia lido alguns ensaios sobre atuação e também utilizou disto para melhorar a sua capacidade de persuasão.
Por fora aparentava estar virando um homem mudado, mas, por dentro, pensava em matar aqueles que ocasionaram em sua prisão.
- "Veja só... O pobre coitado está arrependido..." - era o que os guardas pensavam.
Não só sendo isso, Mata-Burro passou a falar com os outros detentos, falando como era grave cometer atrocidades na sociedade e, para ser uma pessoa melhor, é necessário largar aquilo que mais prejudica a si mesmo e as outras pessoas.
Dizia frases bonitas prontas, usava termos específicos e falava principalmente do arrependimento.
Os anos foram se passando e Mata-Burro mais e mais era chamado pelos outros de 'sabio'.
- "Viste a última palestra no refeitório do Zé Papoca?" - perguntou um detento.
- "Sim, vi. O homem fala bonito, não é?" - respondeu outro.
- "Fala... E ainda mais! Dá exemplo!" - disse o primeiro.
Eram estas as conversas que os presos tinham.
Mata-Burro mais ia ganhando status dentre eles e, mesmo sem saber, com os oficiais.
Mata-Burro foi ganhando idade e peso com o passar do tempo (comia demais).
Quando algum novato chegava, e logo metia uma de rebelde, os detentos falavam com Mata-Burro:
- "Chegou um novato aí, Zé Papoca... Tá com a essas mania de bicho solto..." - falou uma vez um preso.
- "Deixe que eu resolvo, não há ninguém que não possa mudar..." - respondia Mata-Burro.
Dito e feito, Mata-Burro ajudou diversos detentos a se arrependerem de seus crimes, até aqueles que pareciam não ter parafuso...
Os homens choravam e iam aos montes se confessarem aos padres, Mata-Burro também confessou-se, para continuar demonstrando que estava arrependido de seus crimes do passado e de quem ele era.
Mata-Burro foi ficando maior, tanto em corpo como figura, já era conhecido no presídio todo.
Ao invés de pregar revolução, pregava a redenção e quando se viu, todos os detentos liam livros e até almejavam serem pessoas na vida, alguns querendo até serem homens cumpridores da lei, tudo por conta do plano de Mata-Burro.
O homem também se especializou nas artes:
Poesia, pintura, artesanato, literatura e até mesmo costura.
- "Acho que quero ser costureiro!" - disse um detento.
- "Esse tal de dadaísmo é esquisito... Gostei!" - falou outro.
- "Que obras lindas..." - disse mais um vendo alguns quadros de Da Vinci em uma revista sobre arte.
Mata-Burro ensinou vários dos criminosos a ler e a escrever, além de ensina-los a matemática e as ciências.
Aquele presídio passou a ter boa reputação diante do governo, até o presidente foi visitar e viu a organização.
Não haviam xingamentos, não haviam discussões, nem sequer gangues, apenas grupos de estudo.
- "Mas isto é incrível!" - falou o presidente ao diretor da penitenciária.
- "Não é mérito nosso, senhor..." - disse o diretor.
- "Mas sim do Zé Papoca" - falou.
- "Zé Papoca?..." - perguntou o presidente.
- "Foi o responsável por organizar a mente dos detentos. Mas o homem fala bonito, vice!" - respondeu o diretor.
O diretor então levou o presidente até a cela onde Mata-Burro estava.
Lá estava ele...
Com um grupo explicando sobre a filosofia do autocontrole de si mesmo.
O presidente ouviu Mata-Burro falando e os presos fazendo anotações.
- "Formidável!" - disse o presidente.
- "Como este lugar está harmonioso!" - continuou.
O local tornou-se uma utopia.
Tanto que depois de algum tempo, os detentos foram soltos de volta para a sociedade.
Alguns, como mostravam, tornaram-se professores, artistas e até mesmo homens da lei.
Uns formaram famílias e ficaram caridosos.
Não eram mais criminosos, eram cidadãos de bem.
Mata-Burro disse que queria ser o último a ser solto, pois queria ensinar seus métodos ao diretor da prisão, que se tornou seu aprendiz.
Após algum tempo ensinando seus métodos e como se portava com os outros ao diretor, Mata-Burro foi solto e dali pra frente quem estava encarregado de transformar os detentos em pessoas boas era o diretor.
E deu certo.
O presídio tornou-se o local mais escolhido para a ida de outros criminosos, afim de querer mudá-los e realocá-los em sociedade.
E mais e mais malfeitores tornavam-se pessoas exemplares com os métodos que Mata-Burro havia ensinado.
Agora fora das grades, o assassino poderia realizar sua vingança, porém foi interrompido por um imprevisto...
Fora chamado por outros presídios que queriam que ele lhes ensina-se seu métodos para se tornarem com o Complexo de Maurinho.
Mata-Burro passou mais algum tempo ensinando, ficou mais velho e ficou mais gordo, pois agora estava comendo mais melhor.
Quando terminou pensou:
"Agora sim!"
Porém foi interrompido por outro imprevisto...
O presidente chamou-o pessoalmente ao planalto.
Mata-Burro foi.
Lá, conversaram sobre como o assassino havia se tornado um exemplo e então veio a proposta:
- "Irei renunciar ao cargo de presidente do país e gostaria que você assumisse por mim..." - falou o presidente.
- "Eu? Presidente do país?..." - disse Mata-Burro surpreso com a proposta.
- "Sim, vejo que é um homem exemplar! Um cidadão direito! Não gostaria de assumir a presidência do país?... Creio que nos tornaremos uma potência com você no poder da república" - falou o presidente.
- "Bem... Acho que pode ser..." - falou Mata-Burro, esquecendo-se um pouco de sua vingança.
- "Que boa notícia!" - falou o presidente apertando a mão do homem.
Mata-Burro então assumiu a presidência.
Os noticiários anunciaram:
"Extra! Extra!
Ex-criminoso vira presidente!"
As pessoas da cidadezinha onde Mata-Burro morava reconheceram logo a figura:
- "Ei... Este não é o Mata-Burro?..." - falou o dono do açougue.
- "É... Parece que endireitou-se" - disse um freguês que lia o jornal.
- "Parou de matar gente será?..." - perguntou o açougueiro.
- "Acho que sim, virou até presidente!" - respondeu o freguês.
Ao decorrer de seu mandato, Mata-Burro fez várias coisas:
Melhorou a educação, o sistema trabalhista e fez acordos com diversos países.
Tornou-se querido pelas minorias.
Nem esquerda nem direita reclamavam.
Quando alguém caçava pelo em ovo era apenas:
"Ele está com a gravata amassada" - ele fingia ainda ser o bom moço.
Mais alguns anos se passaram e Mata-Burro casou-se e teve uma família.
Uma esposa e um filho.
Apesar disso, ainda matutava sua vingança.
Quando seu mandato acabou, ele pensou:
"Agora sim!"
Porém sua esposa e filho quiseram passar mais um tempo com ele e aproveitar do patrimônio que Mata-Burro havia acumulado para passar as férias em algum lugar.
Então foi feito, passaram um tempo nas praias de Miami e aproveitaram para dormir nos melhores hotéis da cidade.
Bateram muitas fotos e preencheram mais um álbum de fotografias.
Aproveitaram muito tempo lá, até que voltaram para o país de origem.
Quando chegaram, Mata-Burro finalmente pensou que poderia fazer sua vingança, mas tinha outra situação...
Tinha que cuidar da família.
Então passaram-se mais anos e a esposa envelheceu e o filho cresceu.
O filho de Mata-Burro agora era homem feito e queria continuar com a legado do pai na presidência, então adentrou no ramo.
Agora que o filho poderia cuidar da esposa, Mata-Burro enfim poderia se vingar, então disse para a mulher:
- "Vou voltar para a minha cidade natal!"
- "Mas por que?" - perguntou a esposa.
- "Tô querendo fazer uma visita lá" - respondeu Mata-Burro.
- "É família?" - indagou a mulher.
- "São uns conhecidos meus..." - falou Mata-Burro.
- "Mas eu prometo que é só por algum tempo, vou lá e volto, são só alguns dias" - disse ele.
- "Bom, se você diz..." - falou a mulher.
Mata-Burro então se preparou, pegou sem ninguém saber uma faca e guardou-a dentro do carro.
Depois, fingiu uma ligação para um velho amigo no telefone dizendo que estava indo para a cidade e despediu-se da família.
Botou o carro na estrada:
"Finalmente..." - pensou Mata-Burro.
Dirigiu até chegar em um terreno próximo a sua antiga cidade.
Como suas cicatrizes o tornavam reconhecível e também o seu status de figura de poder, o homem disfarçou-se com um casaco, chapéu e óculos escuros, além de uma máscara, destas que se usam quando se está com gripe.
Naquela altura Mata-Burro suspeitava que o delegado já havia aposentado-se, mas isto era apenas suposição...
Pensou:
"E se o homem nem morar mais aqui?"
Portanto deixaria o delegado por último.
Então, quando a noite caiu, foi logo para a casa da viúva, porém descobriu um fato que deixou-o frustrado:
- "Com licença... É nesse bairro que mora a viúva Leidenéia?" - perguntou Mata-Burro a um morador do local.
- "Vixe moço, essa aí já morreu a muito tempo... O senhor era familiar dela?" - disse o morador.
Mata-Burro fez que era conhecido e falou:
- "Morreu foi?... Que tristeza..." - disse ele por fora.
- "Pois é... Foi enterrada no cemitério perto da rua da Mata Verde" - respondeu o morador.
- "E foi?... Certo... Obrigado, viu?..." - falou Mata-Burro e saiu cabisbaixo.
O morador achou que ele estava triste por ter perdido um ente querido, quando na verdade ele tava era triste por não ter sido ele que tirou a vida da viúva.
Sobrou só ir ao delegado...
Foi até a delegacia:
- "Com licença... É aqui que está o delegado Maurílio?" - perguntou ele.
O oficial que estava na porta do local disse:
- "Ele aposentou-se, está vivendo agora em Minas, moço..."
- "E é?..." - disse Mata-Burro.
- "Certo, obrigado, viu?..." - e saiu cabisbaixo de novo.
O oficial achou que fosse um velho amigo de infância do delegado e que saiu triste porque o colega havia se mudado.
Na verdade era mesmo um sujeito querendo enfiar a faca no bucho do sujeito...
Mata-Burro voltou frustrado para o carro.
Passou a vida inteira pintando uma imagem e enfrentando imprevistos para se vingar e no fim... Nada.
Frustou-se tanto que ligou o carro e jogou-se de um barranco.
Acordou em um lugar estranho...
Estava no inferno.
Um ser recebeu-o, estava acompanhado de outro:
- "Ah, olha só, ele chegou!" - disse o ser aterrorizante.
- "Onde estou?" - perguntou Mata-Burro.
- "Ora, 'aonde?'... No inferno, chapa!" - disse o ser.
- "Olha só, você foi bastante vil em sua vida em..." - continuou a criatura.
- "Dancho, leve-o para o local onde ele merece estar!
Lembre-se de pendura-lo pela língua para que ele aprenda a não dizer mais mentiras e deixe a fogueira bem acesa de baixo dele para ele sentir como é o rancor!" - disse o ser dando ordens ao que estava com.
- "Certo. Acompanhe-me..." - disse a outra criatura respondendo o ser e pegando Mata-Burro pelo braço.
Mata-Burro foi posto como disseram...
Pendurado pela língua por um gancho e sendo queimado por uma fogueira como seu castigo.
- "Este foi ruim, em..." - falou Dancho.
- "É, mas sabe de algo... Foi um baita enganador..." - falou o ser.
- "Se não fosse mortal seria presidente daqui" - finalizou a criatura.
No dia seguinte, o corpo do homem foi encontrado...
O povo se compadeceu:
- "Poxa... Ele era tão bom..." - era o que pensavam.
A família de Mata-Burro ao descobrir sua morte ficou de luto:
- "Ele era um homem exemplar..." - falou o filho.
- "E um ótimo marido..." - disse a esposa.
Muita gente chorou por ele e fizeram gestos em sua memória, para sempre lembrar o homem que ele foi.
Enquanto isso ele sofria no submundo...
E o povo se compadecia por ele na terra.