Bicho

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Os gatos das ruas sempre me seguem pra todo lado... Não importa pra onde vou, eles estarão atrás de mim. Se esfregam entre minhas pernas, miam bastante e me olham com aquele típico olhar de felino... Um olhar fofo, porém com uma pitada de malícia. Eu retribuo as suas passadas de corpo em mim com carinhos em suas costas e cabeças. Um ou outro vem a me dar uma baita mordida na mão, mas eu continuo. Toda vez é assim... Eles vem, fazem-se aos montes e me sufocam com suas carícias. Eu cambaleio, quase caio com todos eles e tenho dificuldade para andar. Eu não consigo me livrar deles, são minhas únicas companhias durante o dia e até, de noite... Toda madrugada eles se deitam junto a mim na cama. Acordo e adormeço na presença de meus camaradas peludos de quatro patas. Quando me perguntam: "Por que tantos gatos te seguem?" Eu respondo: "Miau..." E sigo meu caminho. Um dia, acordei em mais um dia junto a meus companheiros. Me olhei no espelho... Fitei-me... E sai, rumo ao lado de fora. Marchando em quatro patas como os gatos. As pessoas na rua me observavam em tom de julgamento: "Será que é febre?" "Deve ser mais um destes loucos que a gente vê..." "É... Deve ser..." Não dou bola: "Miau..." E sigo meu caminho. No decorrer dos demais dias foi-se assim. Eu andava pelas ruas, becos, vielas, muros e telhados. Sempre em marcha quadrúpede com os gatos me seguindo. Passou-se muito tempo e, quando me dei conta, eu já tinha a simpatia de todos os felinos da cidade. Os leões, tigres e onças do zoológico central. Os vira-latas, os domésticos, todos me seguiam. Enquanto as pessoas possuiam em seus olhos a estranheza, eu tinha, agora em mim, a serenidade, despreocupação e malícia dos felinos. Eu continuava... Com a marcha em quatro patas. Sendo a estrela do Norte para todos aqueles animais. Acho que agora já posso me considerar um deles... "Miau, miau..." E continuo... Sigo meu caminho. Agora como bicho sem coleira.