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🌐 ARQUIVO DE RELATOS // Mistérios Locais & Casos Arquivados
Tópico: O pintor da casa ao lado e o som debaixo das tábuas. Acho que ele me achou.
Usuária: Evy_97
Data do Arquivamento: 16 de Julho de 2026
Status do Tópico: 🔒 Arquivado [Usuária Inativa / Investigação em Andamento]
NOTA DO MODERADOR: Este tópico foi trancado após a confirmação de que a conta de "Evy_97" (Evelyn, 19 anos) pertence à jovem dada como desaparecida na noite de 15 de julho de 2026. O endereço IP das últimas publicações corresponde à residência da vítima.
PARTE 1: O que eu lembrava da minha infância
(Postado originalmente em: 13 de Julho de 2026, às 14:20 BRT)
Olá, pessoal do fórum. Sou nova por aqui e resolvi criar essa conta para compartilhar uma coisa que aconteceu comigo quando eu era criança. Sinceramente, acho que talvez não seja nada sobrenatural ou assustador de verdade. Talvez seja só uma daquelas memórias de infância distorcidas pelo tempo. Mesmo assim, decidi colocar isso para fora.
Tudo aconteceu em setembro de 2007. Eu tinha acabado de completar 9 anos e morava em uma vila extremamente tranquila. O lugar era tão calmo e silencioso que chegava a ser chato para uma criança da minha idade.
Até que, no início daquele mês, um novo vizinho se mudou para a casa ao lado.
Era uma casa antiga, de dois andares. Do meu quarto, eu conseguia ver perfeitamente a janela do segundo andar.
Ele era pintor.
Passava horas ali, completamente concentrado diante de um cavalete. Às vezes era muito simpático e dava algumas de suas pinturas de presente para as pessoas da rua, como agradecimento pela acolhida da vizinhança.
Certo dia, enquanto passeava pelo bairro, escutei um barulho estranho vindo da parte de baixo da casa dele, onde havia uma espécie de porão ou vão sob as tábuas de madeira.
Parecia um grunhido distante.
Abafado.
Olhei para cima rapidamente e vi que o vizinho continuava pintando, completamente distraído.
Minha mãe sempre foi muito rígida comigo. Ela dizia que eu nunca deveria me aproximar da casa de estranhos. Segundo ela, a gente nunca sabe quem as pessoas realmente são.
Eu podia brincar pela vila inteira.
Mas existia uma regra.
Nunca entrar na casa de desconhecidos.
Como aquele homem morava ali havia poucas semanas, tecnicamente ele ainda era um estranho.
Só que a curiosidade de uma criança de nove anos costuma ser maior do que o bom senso.
Desobedeci.
Fui até a lateral da casa tentando descobrir de onde vinha o som.
Foi então que ouvi o que parecia ser um miado muito fraco.
Como um gatinho filhote preso no escuro.
Pensei em entrar para tentar resgatá-lo.
Mas eu morria de medo de lugares escuros.
Então tive outra ideia.
Passei a esconder pedaços de pão e restos das minhas refeições debaixo da roupa para levar até aquele vão.
Eu deixava comida e água ali, acreditando que estava salvando um animalzinho preso.
Isso continuou por alguns dias.
Até que, de repente, minha mãe me proibiu completamente de sair de casa.
Ela não explicou direito.
Só disse, com uma seriedade que eu nunca tinha visto, que algumas crianças da região estavam desaparecendo e que não era mais seguro brincar na rua.
Eu chorei.
Fiz birra.
Gritei dizendo que precisava alimentar o gatinho preso embaixo da casa do vizinho.
Minha mãe ficou completamente pálida.
Na época achei que ela só estivesse irritada comigo.
Hoje percebo que havia algo diferente naquele olhar.
Ela simplesmente disse que eu não sairia de casa.
E ponto final.
Passei os dias seguintes observando tudo pela janela do meu quarto.
Vi carros da polícia circulando pela rua.
Vi pessoas reunidas nas calçadas.
Parecia que todos procuravam alguma coisa.
Então, numa tarde, vi o vizinho ser retirado da própria casa algemado.
Nunca mais o vi.
Algumas semanas depois, minha mãe finalmente deixou que eu voltasse a brincar na rua.
A casa ao lado permanecia vazia.
Havia fitas de isolamento na entrada.
Corri até o lugar onde costumava deixar comida.
Chamei pelo gatinho.
Não houve resposta.
Nenhum miado.
Nenhum ruído.
Pensei que alguém o tivesse encontrado ou que ele finalmente tivesse conseguido fugir.
Depois disso, nunca mais pensei no assunto.
Enfim...
Essa é a lembrança estranha que tenho da minha infância.
Provavelmente não significa nada.
Mas, se alguém se lembrar de algum caso envolvendo um pintor preso no interior do Brasil por volta de 2007, gostaria muito de saber.
PARTE 2: Eu estava errada. Muito errada.
(Atualização publicada em: 15 de Julho de 2026, às 21:05 BRT)
Oi, pessoal.
Desculpa ter sumido.
Eu realmente achei que a minha história de infância era só uma lembrança boba... até hoje.
Agora há pouco, durante o jantar, comentei com a minha mãe sobre o post que publiquei aqui no fórum. Falei da "história do gatinho misterioso", até dei risada lembrando daquilo.
O rosto dela perdeu completamente a cor.
Ela largou o garfo.
Começou a tremer.
Então pediu, quase implorando, para que eu apagasse a publicação.
Não explicou o motivo.
Só dizia, entre lágrimas, que eu não devia mexer no passado.
Claro que eu não apaguei.
Assim que ela foi dormir, liguei o notebook e comecei a pesquisar jornais antigos da região.
Passei horas lendo reportagens de setembro de 2007.
E eu queria nunca ter encontrado o que encontrei.
Aquele pintor...
Não tinha sido preso por um motivo qualquer.
Ele sequestrava crianças da região e as mantinha presas em um porão sob as tábuas da própria casa.
Os sons que eu ouvia...
Os "miados" abafados que eu jurava serem de um gatinho...
Eram crianças.
Crianças chorando.
Implorando por ajuda.
Passei quase dezenove anos convencida de que tinha ouvido um animal preso.
Hoje percebo que minha memória transformou aqueles sons em algo que uma criança de nove anos conseguiria suportar.
Mas o pior ainda estava por vir.
Minha mãe finalmente me contou por que entrou em pânico naquele dia.
Quando fiz aquela birra dizendo que precisava alimentar "os gatinhos do vizinho", ela percebeu que eu estava falando da casa do homem recém-chegado.
Ela ligou imediatamente para a polícia.
Foi aquela ligação que levou os policiais até a casa dele.
A minha teimosia acabou salvando aquelas crianças.
Mas as reportagens revelavam coisas que eu preferia nunca ter lido.
Ele mantinha as vítimas vivas para usá-las como modelos de pinturas.
Retratava o medo.
O desespero.
O choro.
Depois enviava anonimamente os quadros às famílias das crianças apenas para assistir ao sofrimento delas.
Eu já estava mal...
Mas continuei pesquisando.
E encontrei uma notícia publicada nesta semana.
Ele fugiu da prisão.
Depois de quase dezenove anos...
Está solto.
21:24 BRT
Acabei de ouvir o barulho da caixa de correio.
Achei que fosse alguma conta.
Quando abri a porta...
Havia uma tela apoiada na entrada da casa.
Sem embalagem.
Sem identificação.
A tinta ainda está úmida.
O cheiro forte de terebintina tomou conta da varanda.
O quadro mostra uma menina de nove anos.
De costas.
Parada diante da janela de uma casa de dois andares.
Sou eu.
Ele sempre soube que eu estava ali.
Ele sabe que foi por minha causa que a polícia chegou até aquela casa.
Nós nos mudamos de estado há muitos anos.
Mesmo assim...
Ele me encontrou.
21:28 BRT
Minha mãe saiu para fazer compras em um supermercado do outro lado da cidade.
Ela ficou presa por causa de um acidente na avenida.
Acabei de ligar para ela.
Está desesperada tentando voltar.
Também liguei para a polícia.
Disseram apenas que uma viatura já foi enviada.
21:32 BRT
Estou escrevendo isso escondida dentro do armário.
Desliguei todas as luzes.
Consigo ouvir minha própria respiração.
Acabei de escutar um estalo muito forte vindo do andar de baixo.
A porta dos fundos acabou de ser arrombada.
Tem alguém dentro da minha casa.
Os passos são lentos.
Pesados.
As tábuas da escada rangem a cada degrau.
Ele está subindo.
Eu tenho a terrível certeza de que o próximo quadro dele...
Vai ser o meu rosto chorando.
Se alguém estiver lendo isso...
Por favor...
Chamem a polícia para o endereço do meu per…
📂 DOCUMENTO ANEXO — REGISTRO DE OCORRÊNCIA POLICIAL
Órgão Responsável: Polícia Civil
Natureza: Desaparecimento de Pessoa
Data da Ocorrência: 15 de Julho de 2026
Horário do Chamado: 21:29 BRT
Horário de Chegada da Equipe: 21:38 BRT
Status: Investigação em andamento.
RESUMO DA OCORRÊNCIA
Após solicitação realizada pela própria vítima através do telefone de emergência, uma equipe policial foi deslocada até a residência informada.
Ao chegar ao local às 21:38 BRT, os agentes encontraram a porta dos fundos arrombada, sem sinais de que houvesse outras pessoas no imóvel.
Poucos minutos depois, a mãe da vítima compareceu ao endereço, informando que havia recebido uma ligação da filha minutos antes, durante o retorno de um supermercado localizado em outro bairro.
Foram realizadas buscas em todos os cômodos da residência e nas áreas próximas.
A vítima, Evelyn, 19 anos, não foi localizada.
No quarto da jovem, sobre a cama, os investigadores encontraram uma pintura a óleo ainda úmida, retratando uma mulher jovem chorando intensamente, apresentando sinais visíveis de medo extremo.
A assinatura localizada no canto inferior direito da tela apresenta características compatíveis com a utilizada pelo autor dos crimes ocorridos em setembro de 2007, atualmente foragido do sistema prisional.
Não foram encontrados sinais aparentes de luta no interior da residência.
O telefone celular da vítima permaneceu no interior do armário do quarto, contendo aberta a página deste fórum e a publicação interrompida durante sua última atualização.
As investigações seguem em andamento.
ATUALIZAÇÃO DA MODERAÇÃO
16 de Julho de 2026 — 08:11 BRT
Após contato da Polícia Civil com a equipe de administração deste fórum, confirmando que a conta Evy_97 pertence à jovem oficialmente registrada como desaparecida, este tópico foi arquivado para preservação do conteúdo e eventual colaboração com as investigações.
Solicitamos aos usuários que se abstenham de publicar informações falsas ou divulgar o endereço da vítima.
Tópico encerrado.