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Fui passar um tempo numa cidadezinha pacata, lá residiam a família da minha tia,era uma cidade estranha, muito peculiar,ao começar pelas vestimentas dos residentes, eram antigas de mais,me lembrava um elenco de filme estilo faroeste, aquela época selvagem com sicários e xerifes, outra coisa era a cidade que me parecia uma enorme fazenda. Após me instalar na casa onde era dos meus avós, minha tia apareceu para me recepcionar,ela era mais bonita do que me lembrava, cabelos loiros presos num coque, vestido preto e comprido do pescoço até os pés, porém,o corselete emoldurava o seu belo corpo,no pescoço uma gargantilha preta com um pingente de cobre, apesar de ter passado dos 35,ela me parecia bem,"oi titia... Faz tempo que ..." ela me interrompeu dizendo: - Você precisa comer alguma coisa, desça Assim eu fiz, depois de um banho reforçado,e já descansado,fui dar uma volta, mesmo sendo uma cidade pacata, havia muito o que se ver , construções como igrejas, prédios,sobrados,as pessoas que usavam roupas próximas da nossa época,era no máximo os estilos dos anos 80 á 90,eu até achei interessante,eles tem estilo próprio. Andando mais um pouco percebi um celeiro,pela aparência, ninguém andava por alí há tempos,mas para dizer a verdade,o que mais me fascinava era o poço,era um poço muito tradicional, feito com rochas e madeiras,em volta dele haviam grandes e fartos sacos de estopa enchidos de alfafa,eu queria entender o porquê,me aproximei para ver o poço,ele estava tampado, minha curiosidade era ver se ainda havia água, então retirei a tampa,logo que imediatamente,uma neblina encobriu o celeiro,uma fumaça com cheiro de fumo escapou do poço,vi que ainda havia água, porém,tive um arrepio,uma sensação de que algo estava muito errado, até que senti o cheiro de fumo mais forte vindo de trás de mim, uma mão fria e firme apertou meu ombro,eu petrifiquei na hora,senti a pessoa assoprar fumaça na minha nuca, até que ouvi sua voz rouca porém forte como trovão: - Está procurando água meu jovem?... Ouvindo aquilo eu não tive forças nem para responder, assim que eu abri a boca, comecei a gaguejar,o homem me interrompeu dizendo:- Se quiser água, terá que trazer 5 prata ou um saco de alfafa Eu comecei a suar frio,respondi trêmulo "n-não senhor", assim o homem misterioso explodiu em uma gargalhada sinistra, enquanto afirmava:- Há há há, então você veio aqui para me apreciar?! O famoso Racha Cuca! Há há há! Após ouvir isso,me virei dando de cara com um ser grotesco,um homem com blusa abotoada preta, calça escura, cinto, coldre e botas feitas de couro, chapéu preto cobrindo o rosto,o ser levanta a face tragando seu charuto,e olha nos meus olhos, revelando ser um homem com um longo bigode, porém, havia metade do rosto esquelético, vendo o tal Racha Cuca,corri o mais de pressa possível, enquanto eu corria,eu conseguia ouvir o ser gargalhando sem parar, loucamente, rindo até engasgar. Quando enfim cheguei a casa da minha tia, expliquei o ocorrido,a expressão séria dela deu lugar á uma expressão de espanto,ela não riu e levou a sério, dizendo ela, "Racha Cuca",era o apelido de Bernardo Deltran,o temido pistoleiro que amedrontou a todos entre os anos 50,60,e 70, ninguém nunca soube onde Racha Cuca foi parar,nem nunca encontraram seus restos mortais, agora,temo que eu tenha libertado uma maldição celada por décadas,e agora?! Quem poderá nos defender?!
Nota do chat 9