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Voltar à minha cidade natal depois de dez longos anos foi como reabrir uma ferida antiga, daquelas que nunca cicatrizaram por completo, apenas aprenderam a sangrar em silêncio.
As ruas pelas quais passei na infância pareciam menores, mais estreitas e sufocadas sob o céu cinzento.
O silêncio que pairava sobre as casas não era de paz, mas de algo contido, uma calmaria forçada.
Até as poucas pessoas que cruzei pelo caminho andavam com passos rápidos e cabeças baixas, os olhos esquivos, como se carregassem o peso de um segredo que a terra inteira conhecia, menos eu.
Eu tinha apenas cinco anos quando meu pai me tirou daqui às pressas, na calada da noite. A imagem daquela discussão final entre meus pais ainda era uma mancha dolorosa na minha memória: ele, desesperado, puxando as minhas malas; minha mãe, imóvel na porta, com um olhar frio e resignado, aceitando a minha partida como se soubesse que era apenas um adendo temporário no tempo.
Durante toda a minha criação, meu pai viveu sob a sombra de um pavor invisível.
Ele nunca explicou abertamente os motivos de sua fuga; apenas dizia que eu jamais deveria crescer naquele lugar, que aquela terra cobrava um preço alto demais para se viver.
Cresci ouvindo a mesma advertência, repetida quase como um mantra sagrado: "Nunca volte.
Prometa para mim, por tudo o que é mais sagrado, que você jamais pisará naquela cidade de novo."
Pouco antes de dar seu último suspiro no leito do hospital, com as mãos trêmulas segurando as minhas, ele me repetiu essas exatas palavras.
Foi o seu último pedido.
Mas o luto é um terreno perigoso. Com a morte dele, percebi que minha mãe era a única família que me restava no mundo.
A culpa de deixá-la sozinha, somada à ilusão ingênua de que dez anos teriam apagado qualquer perigo do passado, me fez tomar a decisão.
Agora, aos quinze anos, quebrei a promessa.
Voltei contra a advertência do meu pai, contra o peso do medo que ele tentou me incutir e contra o bom senso.
Eu me convenci de que estava voltando para ser a companhia de uma mãe solitária.
Mas assim que os meus pés tocaram o solo áspero da cidade, percebi o primeiro detalhe que fez minha espinha gelar.
Ali, no coração daquela cidade marcada por uma terra estranhamente seca, erguia-se o imenso campo de rosas.
Vivo.
Intocado.
As flores vermelhas brilhavam sob a luz fraca, vibrantes e perfeitas demais para serem reais.
Ele continuava exatamente como na minha infância.
À minha espera.
Eu o lembrava perfeitamente daqueles anos.
Vasto, belo, uma mancha de cor vibrante que parecia impossível de ignorar no meio da paisagem opaca da cidade.
Mesmo agora, depois de uma década inteira, ele continuava rigorosamente o mesmo.
As rosas vermelhas pareciam imunes ao tempo: nunca murchavam, nunca perdiam a vivacidade e nem tinham uma única folha seca.
Mesmo nos dias em que o ar estava árido e o solo rachado pelo calor, suas pétalas brilhavam, cobertas por uma umidade constante, como se tivessem acabado de ser regadas por uma chuva invisível.
Quando eu era criança, achava aquilo encantador, quase mágico. Hoje, porém, olhar para aquele mar de pétalas me causava um desconforto físico.
O perfume que se desprendia do campo era doentiamente doce, denso e sufocante.
Não tinha a leveza de um jardim comum; impregnava a garganta, colava na pele e parecia existir para esconder o cheiro de algo podre que eu ainda não conseguia identificar.
Era uma fragrância que não convidava, mas dominava.
Tentei puxar assunto sobre o campo na cidade, mas a reação das pessoas era sempre a mesma.
Quando eu mencionava a perfeição anormal das flores ou perguntava como elas permaneciam tão vivas, os moradores desviavam o olhar imediatamente.
Engoliam em seco, mudavam de assunto com pressa ou simplesmente se afastavam, mergulhando em silêncios incômodos.
Até a minha mãe evitava olhar na direção do roseiral quando passávamos perto, mantendo uma postura rígida, como se temesse que até mesmo um pensamento sobre as flores pudesse atrai-las.
Apenas uma pessoa parecia transitar por aquele lugar sem demonstrar o menor sinal de hesitação ou medo: o jardineiro.
Um homem idoso, sempre curvado entre os canteiros, cuja presença era tão constante quanto o próprio campo.
Ao observá-lo de longe, cortando os ramos e tocando as pétalas com uma delicadeza quase obsessiva, uma dúvida perturbadora começou a se fixar na minha mente: será que ele cuidava das rosas… ou as rosas é que cuidavam dele?
Aproximei-me dele em uma tarde abafada, quando a névoa do perfume das rosas parecia mais espessa do que o normal.
O homem estava curvado sobre o canteiro principal. Tinha o olhar profundo, escondido sob sombras, e as mãos calejadas, manchadas por uma terra escura e úmida.
Ele cuidava de cada haste com uma atenção obsessiva, quase religiosa, tocando as pétalas como se fossem criaturas vivas e famintas.
— Suas rosas são… perfeitas — arrisquei, dando alguns passos hesitantes pela margem de terra.
Ele parou o movimento da tesoura de poda.
Fitou-me devagar, subindo os olhos lentos pelo meu rosto, fixando-se em mim com uma intensidade que fez meu estômago gelar.
— Elas precisam de cuidado, a voz dele era rouca, como se raramente fosse usada para conversar.
— Muito mais cuidado do que você imagina, garota.
— O campo parece nunca mudar, continuei, tentando manter o tom casual, embora o ar estivesse difícil de respirar ali perto.
— Mesmo com a seca que dizem que a cidade já passou… elas continuam vivas. Não acha estranho?
O jardineiro soltou um suspiro pesado, um som quase desdenhoso.
— Estranho? — Ele semicerrou os olhos, encarando-me de um jeito aviso. — Quem tenta entender demais o que a terra exige… acaba não gostando das respostas que encontra.
Antes que eu pudesse insistir ou fazer mais perguntas, um bando de borboletas brancas surgiu do nada, cortando o ar denso do roseiral.
Eram pequenas, delicadas e incrivelmente alvas, criando um contraste quase hipnotizante contra o vermelho profundo das pétalas.
Mas elas não voavam como borboletas comuns. Não buscavam o néctar no centro das flores.
Pelo contrário: vi com clareza quando várias delas pousaram sobre a umidade brilhante das pétalas vermelhas e começaram a sugar o líquido com uma sofreguidão perturbadora, atraídas não pelo açúcar, mas pela substância espessa e salgada que banhava o canteiro.
A reação do jardineiro foi imediata e desproporcional.
Seu rosto se contorceu em fúria.
Ele largou a tesoura, agarrou um galho seco no chão e começou a golpear o ar e as flores com violência, espantando as borboletas com rosnados agressivos.
— Fora! Fora daqui! — ele esbravejava, pisoteando o chão para espantar até as últimas que insistiam em pousar. — Elas não pertencem a este lugar!
Fiquei estática, assustada com o acesso repentino de raiva. Borboletas nunca foram consideradas pragas de jardim.
— Mas… são só borboletas… — murmurei, recuando um passo.
Ele parou de rebater o ar, respirando de forma funda e desregulada. Não respondeu.
Apenas voltou a se curvar sobre o canteiro, limpando freneticamente o líquido que as borboletas haviam tentado sugar. Seus olhos se cravaram nos meus outra vez, desconfiados, vigilantes, certificando-se de que eu não tinha entendido o motivo de seu pânico.
Ele não estava tentando proteger as flores dos insetos. Estava tentando esconder o que aquelas borboletas tinham acabado de denunciar.
E eu tive a certeza absoluta: já não era apenas eu observando aquele campo. O campo também estava me observando. E foi então que os meus olhos a encontraram.
Escondida bem no coração do canteiro mais denso, quase encoberta pelas sombras que as hastes mais altas projetavam, havia uma única e pequena rosa branca.
Solitária. Frágil. Uma mancha pálida e imaculada no meio daquele oceano vermelho e sufocante.
Meu coração errou uma batida na hora. Minha respiração travou.
Eu conhecia aquele campo desde a infância. Tinha olhado para ele centenas de vezes, repassado suas cores na memória durante todos os anos em que estive longe. Nunca, em momento algum, existira uma única rosa branca ali. Todas sempre foram de um vermelho profundo, uniforme e impecável.
Ela parecia recém-desabrochada, limpa, como se o solo ainda não tivesse tido tempo de cobri-la com o mesmo líquido espesso que tingia as outras.
Olhei de relance para o jardineiro, disfarçando o sobressalto.
Tive uma vontade absurda de apontar para a flor e perguntar o motivo de sua cor, mas a postura dele me fez engolir as palavras em seco.
Algo no meu instinto me dizia que, se eu demonstrasse ter percebido aquela anomalia, ele não me deixaria sair dali caminhando.
Fingi indiferença. Ajeitei a postura, desviei o olhar e tomei o caminho de volta para casa com passos calmos, fingindo não ter visto nada. Mas a imagem daquela flor imaculada ficou marcada na minha mente, gravada a ferro e fogo.
Naquela noite, a casa da minha mãe parecia menor, mais abafada.
O perfume do campo parecia ter atravessado a madeira das janelas fechadas, impregnando as cortinas e o meu próprio travesseiro. Era uma presença densa, doce e insuportável.
Toda vez que eu fechava os olhos para tentar dormir, a escuridão do quarto me devolvia a mesma imagem: a rosa branca reluzindo no meio do sangue.
Pequena, pura, quase como um sussurro proibido no meio daquela mentira emaranhada.
Ela não parecia apenas uma flor esquecida. Parecia uma pergunta. Ou um aviso.
E, no silêncio da madrugada, tive a nítida e aterrorizante sensação de que ela estava ali, no escuro do campo, esperando por mim.
Foi em meio àquele silêncio sufocante, com o cheiro adocicado impregnando as cobertas, que as lembranças do meu pai voltaram com uma força avassaladora.
"Prometa para mim que não voltará. Prometa, minha filha."
A voz dele não ecoava na minha memória como o conselho de um pai superprotetor, mas como o suplício de um homem em pavor absoluto. Ele sabia.
De algum modo, ele sempre soube o que aquela cidade escondia sob as pétalas vermelhas.
Agora, as peças soltas da minha infância começavam a se encaixar com uma precisão aterrorizante.
As discussões violentas entre meus pais antes da nossa fuga não eram brigas comuns de casal.
Era o desespero de um homem tentando resgatar a filha de um destino macabro, enquanto a minha mãe escolhia permanecer, cega e subserviente, cumprindo a sua parte no acordo silencioso daquela comunidade.
Lembrei-me dos contos sussurrados sobre a história da cidade: a grande seca de décadas atrás, a terra rachada que destruiu as colheitas, a fome que devastou as famílias... até que uma única rosa surgiu da terra morta. Lembrei de como os antigos diziam que uma gota de sangue fez a flor mudar de cor e a terra voltar a produzir.
Eles não haviam recebido um milagre. Haviam feito um pacto.
O pavor do meu pai nunca foi sobre a cidade em si, mas sobre o preço que a terra continuava cobrando.
Os olhares esquivos dos moradores, a apatia da minha mãe, a raiva obsessiva do jardineiro ao esconder o sangue nas pétalas das borboletas, a rosa branca que começava a emergir... cada detalhe gritava a mesma verdade cruel. Meu pai não fugiu por covardia. Ele fugiu para me esconder.
E ao quebrar a promessa e pisar novamente naquele solo, travei o gatilho de algo que vinha sendo preparado desde o dia em que nasci. O medo gélido tomou conta do meu peito quando a ficha finalmente caiu: talvez já fizesse tarde demais para fugir pela segunda vez.
Alguns dias se passaram, mas a dúvida me consumia a cada segundo. Precisava de respostas que ninguém na cidade me daria.
Aproveitei uma noite sem lua, quando a escuridão cobria as ruas como um manto espesso e o silêncio da cidade era absoluto. Saí de casa escondida, sentindo o ar frio da noite bater contra meu rosto.
O vento sobrava forte, uivando entre as brechas das casas, como se tentasse me empurrar de volta, me advertindo a cada passo. Mas eu avancei.
Quando cheguei à margem do roseiral, a escuridão parecia ainda mais densa. As fileiras de rosas vermelhas erguiam-se como paredes vivas e sufocantes, criando um labirinto fechado.
O cheiro doce, que de dia já era enjoativo, à noite se tornava quase insuportável, pesando nos meus pulmões a cada respiração.
Embrenhei-me entre os canteiros, tomando cuidado para não ser arranhada pelos espinhos afiados.
Caminhei até alcançar uma clareira bem no centro do campo, um espaço amplo que parecia escondido do resto do mundo.
O chão ali era fofo, viscoso. Ao dar um passo em falso, senti meus sapatos afundarem numa lama esquisita. Abaixei-me e toquei o solo com a ponta dos dedos. A terra estava encharcada, mas não por água de chuva.
O líquido era espesso, escuro e levemente aquecido. Cheirei a mão e o estômago embrulhou na hora: era sangue. Sangue seco e pisado em alguns pontos, e terrivelmente fresco em outros, escorrendo por canais escavados na terra que alimentavam diretamente as raízes de cada rosa.
No meio daquela clareira, erguia-se um imenso altar de pedra.
Sua superfície rústica estava entalhada com símbolos antigos e grotescos.
Conforme meus olhos se acostumavam com a penumbra, percebi com pavor que os entalhes pareciam pulsar sob a luz fraca das estrelas, como veias cobertas por um brilho avermelhado e vivo.
E então, o silêncio da noite se quebrou. Não ouvi sons vindos do vento ou da mata. As vozes ecoaram diretamente dentro da minha cabeça, sussurros graves, entrelaçados e incompreensíveis, ressoando nos meus ossos, chamando por algo... ou por alguém.
Eles surgiram do meio do roseiral como sombras ganhando vida, emergindo um a um entre as fileiras de hastes e espinhos. Carregavam tochas acesas cujas chamas vacilantes projetavam labaredas alaranjadas e grotescas sobre as pétalas vermelhas.
Meu corpo congelou. O ar sumiu dos meus pulmões.
Erem os moradores da cidade. Todos eles. Os mesmos rostos que eu cruzara por dias nas ruas, as pessoas de olhares esquivos e passos apressados. Ali, sob a iluminação avermelhada do fogo, não havia medo ou vergonha neles. Seus rostos exibiam uma serenidade perturbadora, uma calma ritualística, com os olhos fixos e brilhando em pura devoção. Até a minha mãe estava no meio deles, caminhando a passos lentos, o olhar pálido e focado no altar, sem sequer piscar.
À frente do grupo, pisando no solo encharcado de sangue com a familiaridade de quem fazia aquilo há anos, estava o jardineiro.
Ele vestia túnicas escuras, sujas pela mesma terra viscosa do campo. Trazia nas mãos uma lâmina longa e cerimonial, cuja ponta ainda gotejava o líquido espesso que mantinha as rosas vivas. Ele caminhou até o altar de pedra, virou-se para a multidão e ergueu os braços em direção ao céu escuro.
— A Deusa retorna! — a voz dele ressoou pela clareira, ecoando grave e cavernosa, sem nenhum traço da fraqueza da velhice.
— O ciclo da seca foi quebrado, e o pacto antigo finalmente se cumpre!
A multidão respondeu num coro uníssono, um murmúrio grave e cadenciado que fazia o próprio chão vibrar sob meus pés.
O horror me paralisou por completo. Todas as histórias de pessoas que haviam desaparecido ao longo dos anos, os viajantes que nunca chegaram ao seu destino, os estranhos que sumiam sem deixar vestígios... nada daquilo era fruto do acaso. O sangue de cada vítima era derramado ali, naquele altar de pedra, drenado para os canais de terra para tingir as rosas e manter a fartura de uma cidade abençoada por uma entidade cruel.
Mas enquanto o jardineiro me encarava do alto do altar, com a lâmina erguida e um sorriso gélido nos lábios, percebi o detalhe mais aterrorizante de todos.
Aquele culto, aquele sangue e aquele ritual... nada daquilo era para me matar.
O pacto não era para trazer a Deusa de volta como um sacrifício comum.
Eles estavam oferecendo o sangue do campo para mim.
O chão sob meus pés tremeu com uma força descomunal, fazendo a terra viscosa borbulhar. Ao mesmo tempo, como se respondessem a um comando invisível, milhares de rosas vermelhas se abriram em um único movimento sincronizado, expandindo suas pétalas e liberando um arfar pesado. O campo inteiro parecia respirar, uma criatura monstruosa de caule e espinhos que despertava de um sono profundo.
Do centro do altar de pedra, a terra fendeu.
Uma massa densa de sombras e pétalas impregnadas de sangue começou a se erguer, retorcendo-se e tomando a forma de uma figura feminina imensa e imponente.
Ela não tinha um rosto definido, apenas contornos que oscilavam entre a beleza e a podridão, exalando um cheiro avassalador que mesclava o perfume mais puro ao cheiro ferroso da morte. A Deusa.
A voz dela não se propagou pelo ar. Ela ressoou com a força de um trovão no fundo da minha mente, reverberando por cada osso, cada gota do meu próprio sangue:
— Você voltou, meu recipiente. Naquele segundo, o véu da minha ignorância se rasgou por completo. A dor da revelação foi mais afiada do que qualquer espinho.
Eu não era uma vítima indefesa que derramaria o sangue no altar. Eu era a promessa.
Quinze anos atrás, quando nasci sob o auge do pacto, fui marcada para ser o receptáculo físico daquela entidade — a forma terrena pela qual ela finalmente abandonaria as raízes para andar entre os homens e espalhar seus jardins de flores sangrentas pelo mundo.
Meu pai descobrira o ritual e fugira comigo para me salvar dessa maldição, enquanto minha mãe permaneceu, aguardando o inevitável retorno da filha que pertencia à terra.
O jardineiro deu um passo à frente, curvando a cabeça em reverência enquanto a multidão se ajoelhava ao meu redor no chão enlameado.
— O corpo está pronto — o velho sussurrou, os olhos brilhando com uma devoção insana.
— Aceite o seu trono... ou alimente o seu jardim.
A figura de sombras estendeu uma mão feita de espinhos na minha direção, esperando a minha rendição.
Sentia as memórias da própria entidade tentando invadir minha consciência, o poder ancestral pulsando em minhas veias, chamando-me para reivindicar o comando daquela cidade e do mundo.
Eu não tinha uma terceira saída. A ilusão de escolha que eu mantive durante toda a vida morria ali, no centro do roseiral.
Eu podia abrir a mente, aceitar a entidade e me tornar a soberana cruel de uma era de sangue... ou recuar, negar a Deusa e permitir que minhas carnes e ossos fossem despedaçados, tornando-me apenas mais um adubo para manter as rosas vermelhas vivas por mais uma estação.
Olhei para a minha mãe ajoelhada, para o jardineiro, para a figura de pétalas e para a terra encharcada. Respirei fundo o perfume sufocante uma última vez e tomei a minha decisão.
O FIM ?