Viagem em família.

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Contos para (não) dormir.

2° Viagem em família.

Boa leitura, caro leitor ~

É uma noite de sexta feira. Estou dirigindo por uma estrada. Não há postes de luz. Consigo ouvir os animais do lado de fora mesmo com as janelas fechadas. A escuridão é crua em uma estrada fechada por uma densa floresta.

Ao meu lado. Minha esposa está Inspecionando um mapa da região. Nos bancos traseiros. Meu filho e minha filha. São gêmeos. Estão dormindo. O estranho silêncio do carro é substituído por uma voz feminina.

"Querido, você está cansado?"

Foi o que minha esposa falou. Eu mal consegui distinguir suas palavras. Até que um leve toque em minha coxa. Me fez realmente acordar.

"Querido, você está cansado, não é?"

Eu balancei a cabeça em negação. Eu estava apenas prestando atenção na estrada.

"Pare o carro, vamos revezar."

Ela falou de forma carinhosa mas no fundo Prioritariamente.

...

Parei o carro lentamente no acostamento. Abri minha porta.

...

Os sons que antes passavam pelo vidro do carro estavam ainda mais altos agora.

Os grilos cantarolavam deixando-me com uma leve dor de cabeça passageira.

Comecei a dar a volta no veículo.

Passando pela frente do carro.

Olho para a janela frontal e não há mais ninguém dentro do carro.

...

Acelerei os passos alcançando a porta do passageiro.

A porta abriu-se lentamente. Minha esposa estava ao lado do motorista. Ela disse que não queria sair do carro, então mudou de banco por dentro do carro.

Resmunguei esquecendo o que aconteceu ao lado de fora. Fechei a porta dissipando os sons do lado de fora.

"Agora, durma um pouco querido."

Minha esposa ofereceu sua almofada de pescoço para que eu pudesse descansar melhor.

Peguei o pequeno travesseiro e enrolei em meu pescoço. Em menos de cinco minutos eu já estava dormindo.

...

Acordei rapidamente com uma voz feminina.

"Querido, você está cansado?"

Eu abro os olhos rapidamente e olho para a esquerda procurando minha esposa ao volante.

Não havia nada além do vidro do carro. Eu estava na esquerda. Eu estava no volante.

Olho para minha esposa no lado direito. Seu rosto parecia deformado. Provavelmente era apenas por conta do sono repentino. Estava grato por não acontecer nada de ruim enquanto cochilava

"Querido, você está cansado não é?"

Minha esposa diz. Eu aceno com a cabeça em concordância.

"Pare o carro, vamos revezar."

Ela diz de forma prioritária, mas no fundo de forma carinhosa.

Eu paro o carro bruscamente no acostamento. Uma névoa de poeira do asfalto velho sobe. Ignoro isso e saio do carro.

A porta do carro rangeu enquanto se abria. Lá fora, o som era ainda mais alto. Mais alto do que na outra vez em meu sonho. Os grilos e gafanhotos balbuciavam. O cheiro da poeira invadia minhas narinas. As corujas gritavam em seu som natural. O vento nas árvores tentavam me alertar de algo.

Ignorei tudo e comecei a dar a volta no carro. Olhei para o vidro da frente. E não tinha ninguém. Mas. Tinha algo. Estava escrito no vidro. Num tom vermelho ardente. Quase carmesim. O líquido era espesso. Mas escorria pelo vidro.

VOCÊ PARE ENQUANTO
PODE

Ignorei a mensagem. Estava com sono. Cansado. Até mesmo acabei dormindo no volante enquanto dirigia. Claramente estava alucinando.

Quando me aproximei da porta do passageiro. Me senti sendo observado. Tentei ignorar isso também.

Abri a porta.

...

Minha esposa estava me encarando. Ela parecia estar me encarando dês de quando sai do carro. Por algum motivo ela estava com um largo sorriso no rosto. Ela provavelmente estava apenas feliz por me ajudar a descansar.

Me sentei no banco. Senti uma onda fria permear meu corpo. Estranho. O carro estava emitindo ar quente desde o começo da viagem. Era início de inverno. Ignorei, podia… ser apenas ansiedade, certo?

Fechei a porta. Os sons da natureza lá fora sumiram totalmente dessa vez. Não ouvia nada. Nem mesmo o próprio carro. Eu estava com sono. Minha esposa não me ofereceu sua almofada como no sonho.

Mas por outro lado ela ficou me encarando com um. Grande sorriso calmante e carinhoso. Isso tudo enquanto dirigia. Não sabia que ela era tão boa dirigindo.

Encostei a cabeça no banco do carro. Fechei meus olhos. E dormi rapidamente.

...

Acordei com uma voz feminina.

"Querido..."

Era minha esposa. Mal pude… entender o que ela tinha falado. Talvez… tivéssemos chegado a um posto de gasolina? Talvez pudéssemos d’dormir numa cama!

Quando abri meus olhos. O volante do carro estava em minhas mãos.

Achei estranho… Não me lembrava de trocar de assento novamente.

Me virei para minha esposa. Mas ela não estava ao meu lado.

...

Parei o carro no acostamento quase saindo para fora e entrando na floresta.

O sono estava ainda mais intenso. Sem pensar duas vezes eu saí do carro.

A floresta não fazia nenhum barulho dessa vez. Nenhum som. Nenhum grilo. Nenhum gafanhoto. Nenhuma coruja. Nem mesmo o som do vento batendo nas grandes árvores.

Tentei ignorar isso. É difícil… Apenas comecei a dar a volta no carro. Quando parei e olhei para o vidro.

...

Vidro?

...

Carro?

...

Não havia nada. Não tinha mais carro. Mas o asfalto ainda possuía rastros de pneus. Eu segui os rastros. E logo notei meu carro mais a frente.

Vidro quebrado estava espalhado pelo chão. Quando me aproximei do carro. Comecei a ouvir sons novamente.

Meus passos por cima do vidro. Fazendo sons ríspidos.

E logo em seguida um som fez meu corpo congelar. Som de crianças chorando.

Eu

andei

lentamente

até

meu

carro

...

Ele estava capotado. Como não percebi antes? Ignorei minha pergunta e me abaixei. Olhando pelo buraco que antes era onde ficava o vidro traseiro.

Minha esposa. Completamente suja de sangue, olhando desesperadamente para trás. Duas crianças presas pelos amassados choravam. Era meus filhos. Como pude me esquecer deles esse tempo todo?!

Foi então. Que minha esposa olhou para mim. De ponta cabeça dentro do resto do carro. Seu olhar parecia me amaldiçoar. Eu tentei, tentei ignorar. Era difícil. Quase impossível.

Andei até a porta do motorista. E me abaixei. Lá estava eu. Completamente sujo de sangue. Com um grande hematoma na cabeça. Parece que bati a cabeça e morri…

Entendo…

. .. …

"Então xerife, uma família bateu o carro?” "O carro naquela estrada mal iluminada?"

'Isso mesmo, parece que' 'o pai da família dormiu enquanto' 'dirigia e bateu em uma árvore.'

"Que horrível..."

'horrível mesmo é a esposa' 'morreu sorrindo encarando' 'o marido...' 'me deu calafrios.'

"Achei que isso fosse mentira."

'não é.'

"É uma pena que as crianças" "Tenham morrido."

'bem, pelo menos eles vão estar' 'juntos com Deus.'

. .. …

Acordei com uma voz feminina.

"Querido, você está cansado?"

Era minha esposa. Novamente.

Por favor. Perdoe-me.